A decisão já era esperada pelos mercados após a inflação na região ter ultrapassado os 3% em maio.
Os juros na Zona Euro vão subir pela primeira vez desde setembro de 2023. A decisão foi anunciada esta quinta-feira pelo Banco Central Europeu (BCE) após uma reunião em que os governadores lideradores por Christine Lagarde acordaram um aumento de 25 pontos-base, que coloca a taxa de referência em 2,25%.
Christine Lagarde.AP / Christoph Hardt
A subida era amplamente esperada pelos mercados financeiros devido ao impacto da guerra no Médio Oriente especialmente no valor do petróleo e gás natural. Devido à subida dos custos com a energia, impulsionada pela escalada nos combustíveis, a taxa de inflação da Zona Euro terá acelerado para 3,2% em maio (contra 3% em abril).
"O conselho do BCE está empenhado em definir a política monetária de modo a assegurar que a inflação estabiliza no objetivo de 2% a médio prazo. Em consonância com este compromisso, decidiu hoje [quinta-feira] aumentar as três taxas de juro diretoras do BCE em 25 pontos-base", indica. As taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de depósito, às operações principais de refinanciamento e à facilidade permanente de cedência de liquidez serão aumentadas para, respetivamente, 2,25%, 2,40% e 2,65%, a partir de 17 de junho.
"A guerra no Médio Oriente está a gerar pressões inflacionistas e a decisão de aumentar as taxas de juro apresenta-se robusta face a um conjunto de cenários, que mapeiam a forma como o choque poderá evoluir e afetar as perspetivas de médio prazo para a área do euro", justifica o banco central, em comunicado.
A par da decisão sobre taxas de juro, o BCE atualizou igualmente as projeções macroeconómicas, mostrando-se mais pessismista sobre a inflação em 2026 e 2027, devido à trajetória mais elevada dos preços dos produtos energéticos, "a qual deverá, em certa medida, repercutir-se na inflação dos preços dos produtos alimentares, dos bens e dos serviços".
O "staff" de Frankfurt antecipa agora que a inflação global se situe, em média, em 3% este ano, 2,3% no próximo e 2% em 2028. Estes números eram aguardados pelos mercados para avaliar se esta é uma subida de juros isolada ou o início de um ciclo, sendo que o banco central deixa em aberto os próximos passos.
Para já, "o conselho do BCE permanece bem posicionado para lidar com a incerteza provocada pela guerra", garante, indicando que "acompanhará de perto a situação e seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião na definição da orientação apropriada da política monetária".
Reafirma igualmente que as decisões sobre taxas de juro basear-se-ão na avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos em torno das mesmas – à luz dos dados económicos e financeiros que forem sendo disponibilizados –, bem como da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária. "O conselho do BCE não se compromete previamente com uma trajetória de taxas específica", acrescenta.
BCE sobe juros na Zona Euro pela primeira vez desde 2023
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