Coronavírus: FMI prevê défice de 7,1% em Portugal este ano

Jornal de Negócios 15 de abril de 2020

A pandemia de covid-19 vai atirar as contas públicas portuguesas outra vez para o vermelho. Ainda assim, o FMI diz que o país terá um desempenho melhor do que a média do euro e que em 2021 o défice recua para 1,9% do PIB.

O Fundo Monetário Internacional prevê um défice de 7,1% do PIB para Portugal este ano. A confirmar-se, este será o pior resultado orçamental desde 2014, quando o país ainda estava a recuperar da crise económica e financeira. Mas no próximo ano voltará a respeitar o Pacto de Estabilidade e Crescimento, regressando a um défice de 1,9%, abaixo do limite de 3%.

As projeções constam do Fiscal Monitor, publicado esta quarta-feira, 15 de abril. A expectativa de forte degradação das contas públicas justifica-se pela atual conjuntura de pandemia e de profunda crise económica (a expectativa do Fundo é de uma recessão de 8% este ano), provocada pelas medidas de contenção da doença. No seu anterior relatório, divulgado em outubro do ano passado, o FMI antecipava um excedente orçamental de uma décima para 2020. Nessa altura, ainda não se sabia que o superavit chegaria logo em 2019, conforme veio a revelar mais tarde, em março, o Instituto Nacional de Estatística. Mas em cerca de um mês tudo mudou.


O panorama negro nas contas públicas é comum aos restantes países da zona euro. Aliás, apesar do défice assinalável, Portugal continuará com um saldo melhor do que a média dos países da moeda única, que será de 7,5%, antevê o FMI. Entre os países com défices mais elevados destacam-se, por exemplo, Espanha com 9,5%, França com 9,2%, a Grécia com 9%, a Bélgica com 8,9% e Itália com 8,3%. No atual contexto, até a Alemanha deverá registar um défice orçamental, de 5,5%. A última vez que a economia alemã teve um saldo orçamental negativo foi em 2011, de apenas 0,9% do PIB.

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