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Artigos de luxo de magnata vietnamita condenada por fraude vão a leilão para indemnizar vítimas

Venda de artigos pertencentes a Truong My Lan integra a tentativa das autoridades vietnamitas de recuperar parte do dinheiro desviado no maior escândalo financeiro da história do país.

A venda de duas malas Hermès Birkin, pertencentes à empresária vietnamita Truong My Lan, tornou-se o mais recente capítulo de um dos maiores casos de fraude financeira julgados na Ásia. As peças de luxo, apreendidas pelo Estado, foram colocadas em leilão pelas autoridades vietnamitas no âmbito do esforço para compensar dezenas de milhares de investidores e credores lesados pelo esquema financeiro que abalou o sistema bancário do país.

Truong My Lan enfrenta uma pena de prisão perpétua
Truong My Lan enfrenta uma pena de prisão perpétua Associated Press

Truong My Lan, fundadora do grupo imobiliário Van Thinh Phat, foi considerada a principal responsável por um esquema de fraude e apropriação ilícita de fundos ligado ao Saigon Commercial Bank (SCB). Em 2024, foi condenada num processo que as autoridades classificaram como o maior caso de corrupção e fraude financeira da história do Vietname. Os prejuízos atribuídos ao esquema foram estimados em cerca de 27 mil milhões de dólares - cerca de 23,5 mil milhões de euros -, valor equivalente a uma parte significativa do produto interno bruto do país, reporta a norte-americana .

As duas malas Hermès, ambas da linha Birkin, renderam mais de 14 mil milhões de dong vietnamitas (aproximadamente 463,7 mil euros) num leilão online. Uma delas, adornada com pedras preciosas, foi arrematada após intensa licitação por mais de 364 mil euros, muito acima do valor inicial definido.

O valor arrecadado, contudo, representa apenas uma fração do montante que as autoridades procuram recuperar. Segundo informações divulgadas pelo Governo vietnamita, Lan foi condenada a indemnizar investidores e obrigacionistas afetados pelo colapso financeiro associado ao banco. Embora já tenham sido efetuados reembolsos parciais a dezenas de milhares de credores, o valor em falta atinge os milhares de milhões da moeda vietnamita.

A venda das malas insere-se numa operação mais vasta de liquidação de património. A leilão estão ainda centenas de imóveis e terrenos associados ao império imobiliário de Truong My Lan, espaços comerciais na cidade vietnamita de Ho Chi Minh City, fábricas, armazéns e terrenos na província de Tay Ninh, no sul do país, bem como maquinaria industrial, veículos de luxo - incluindo um Mercedes-Maybach, um BMW e um Lexus -, um iate de luxo e duas embarcações de recreio.

As autoridades preveem ainda alienar, além das malas, milhares de artigos de moda e acessórios, mais de 8.500 peças de vestuário e objetos de luxo, além de cerca de 370 mil artigos pertencentes a uma empresa de mobiliário. Segundo a imprensa financeira internacional, mais de 1.200 propriedades e outros ativos ligados à empresária foram entretanto identificados e congelados no âmbito do processo de recuperação de fundos destinados a indemnizar as vítimas da fraude

O caso ganhou dimensão internacional não apenas pelos valores envolvidos, mas também pela severidade das penas aplicadas. Em abril de 2024, Truong My Lan foi condenada à pena de morte por crimes de corrupção, fraude e violação das regras bancárias. Posteriormente, alterações legislativas e novos desenvolvimentos judiciais levaram à conversão da pena para prisão perpétua, embora a empresária continue a enfrentar múltiplas condenações relacionadas com branqueamento de capitais e transferências ilegais de dinheiro.

Segundo a , durante o processo, Lan tentou recuperar as duas malas Birkin, alegando que tinham valor sentimental para a família; uma teria sido comprada em Itália e a outra recebida como oferta. Os tribunais recusaram o pedido, concluindo que os artigos constituíam bens adquiridos com recursos provenientes da atividade criminosa e, por isso, deveriam integrar o património apreendido pelo Estado.

Nascida em 1956, em Ho Chi Minh City, Truong My Lan começou a sua atividade como comerciante num mercado local antes de construir um dos maiores impérios imobiliários do Vietname através do grupo Van Thinh Phat. A empresária foi detida em outubro de 2022, numa altura em que as autoridades intensificavam a campanha anticorrupção conhecida como Blazing Furnace.

De acordo com a , a investigação concluiu que, durante mais de uma década, Lan controlou de forma indireta o Saigon Commercial Bank e utilizou uma rede de empresas-fantasma para obter empréstimos fraudulentos que ascenderam a milhares de milhões de prejuízos. O primeiro grande julgamento teve início em março de 2024 e, no mês seguinte, a empresária foi condenada à pena de morte por fraude, apropriação ilícita de bens e violação das regras bancárias. Lan recorreu da decisão, tendo um tribunal de recurso mantido a condenação por grande parte dos crimes.

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