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Petróleo mais do que duplica de preço desde início do ano. Brent toca nos 126 dólares

Negócios 30 de abril de 2026 às 09:28

Preços de referência para a Europa e os EUA seguem a escalar na sessão de hoje, já depois de terem atingido máximos de quatro anos. Preocupações de que os ataques militares dos EUA ao Irão possam recomeçar estão a pressionar o sentimento dos "traders", que não vêm fim à vista para a reabertura do estreito de Ormuz.

Os preços do petróleo já mais que duplicaram desde o início do ano e atingiram na sessão de ontem, 29 de abril, máximos de cerca de quatro anos. Nesta quinta-feira, o crude continua a escalar e o Brent chegou a atingir os 126,41 dólares por barril, depois de a agência de notícias Axios ter avançado que o Presidente norte-americano, Donald Trump, estará a estudar opções para novos ataques militares contra o Irão, após ter rejeitado a proposta para um acordo de paz apresentado por Teerão - sinalizando que poderá haver uma nova escalada no Médio Oriente e a possibilidade de o estreito de Ormuz permanecer encerrado por ainda mais tempo, prejudicando os fluxos globais do mercado energético e não só.

Estreito de Ormuz encerrado é principal fator por detrás do avanço dos preços do petróleo. Andrew Matthews / AP

Nesta medida, o Brent – de referência para a Europa –, que avança agora pelo nono dia consecutivo, sobe 5,55%, para os 124,58 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – avança 3,14% para os 110,24 dólares por barril.

Noutras matérias-primas, o gás natural negociado na Europa segue a subir 2,10%, para os 47,85 euros por megawatt-hora.

O chefe do Comando Central dos Estados Unidos (EUA), o almirante Brad Cooper, irá informar Trump nesta quinta-feira sobre opções militares para ataques ao Irão, apontando que a retomada das operações das forças armadas norte-americanas está a ser seriamente considerada, disse a Axios, citando duas pessoas a par do assunto. O Comando Central terá ainda solicitado o envio de mísseis hipersónicos para o Médio Oriente, o que marcaria a primeira vez que o exército americano mobiliza este tipo de armas.

Um frágil cessar-fogo tem-se mantido entre as duas partes desde o início de abril, mas os esforços recentes para reunir os negociadores de ambos os lados falharam até agora, com os EUA e o Irão a manterem o bloqueio do estreito de Ormuz. Além disso,

Trump arrancou o cobertor de segurança a que o mercado se agarrava — a esperança de que a guerra estivesse prestes a terminar”, disse à Bloomberg Robert Rennie, do Westpac Banking Corp. “Os ‘traders’ estão agora a ser forçados a enfrentar uma realidade muito mais sombria: ambos os lados continuam a pensar que estão a ganhar, nenhum deles tem um incentivo claro para negociar e os preços da energia começam a subir a um ritmo acelerado”, resumiu.

“De alguma forma, mais algumas semanas de impasse não parecem ser algo que vá agradar a Trump”, afirmou, por sua vez, Vandana Hari, da Vanda Insights, à agência de notícias financeiras. “Os preços não têm para onde ir a não ser para cima até que a reabertura do estreito de Ormuz esteja à vista. Neste momento, como e quando isso poderá acontecer é uma incógnita”, sublinhou a mesma especialista.

Noutros dados, as exportações de crude dos EUA atingiram um recorde na semana passada, à medida que compradores globais procuraram compensar a falta de abastecimento através do Médio Oriente. As vendas de crude norte-americano para o estrangeiro ultrapassaram os 6 milhões de barris por dia, superando o recorde anterior de quase 5,3 milhões estabelecido no final de 2023.

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