O mundo oculto das claques

Dominam os clubes à força, estão ligadas ao crime e são constantemente vigiadas pela PSP. A rivalidade entre elas culminou na morte de um adepto italiano.

Este artigo foi publicado na edição 679 da revista SÁBADO, de 4 de Maio de 2017, devido à morte de um adepto italiano.

Quando no passado sábado, 29 de Abril, Luís Pina se sentou em frente à juíza do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa não havia dúvidas de que era ele o condutor do Renault Clio que atropelou mortalmente Marco Ficini, o italiano que tinha vindo a Lisboa para apoiar o Sporting no jogo contra o Benfica de 22 de Abril. Não só o membro da claque No Name Boys (NNB) tinha confessado o homicídio como as câmaras de videovigilância mostravam o que tinha acontecido, com uma excepção: o atropelamento em si.

Ao que a SÁBADO conseguiu apurar, nas imagens cedidas pelo Benfica à Polícia Judiciária (PJ) não é possível ver o momento em que Marco Ficini é atropelado. Apenas o que se passou antes e o que ocorreu depois, quando Luís Pina sai do carro, olha para o corpo do italiano estendido no chão, volta a entrar no veículo e arranca para longe. Mas esse foi apenas o fim de uma noite que foi reconstituída nos dias seguintes pelos inspectores da Judiciária e que culminou na prisão preventiva do benfiquista por cinco crimes de homicídio (um na forma consumada e quatro na forma tentada) e na constituição de mais quatro arguidos, todos adeptos do Sporting - os mesmos que o benfiquista é acusado de tentar matar.

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