Fiscal da EMEL treina o clube do general Kangamba

Tiago Carrasco 20 de maio de 2018

Foi vigilante de um centro de sem-abrigo e passou multas em Lisboa. A seguir enriqueceu e faliu numa parceria com empresários nigerianos. Hoje está no Kabuscorp, em Angola

O Kabuscorp (4º classificado do campeonato angolano) é dos clubes mais populares de Luanda: concentra os adeptos dos bairros de lata do Palanca e do Cazenga e é propriedade do general Bento Kangamba, empresário milionário ligado ao MPLA que já foi procurado pela Interpol por suspeitas de tráfico internacional de mulheres. O treinador é Sérgio Traguil. Com 37 anos, nasceu em Portalegre, numa família retornada de Angola e jogou no Estrela e no Desportivo locais.

Foi no videojogo Championship Manager que se apaixonou pela táctica. Para pagar o curso de treinador, trabalhou como nadador-salvador e agente da EMEL. Passou pelas escolinhas do Benfica, esteve na Nigéria e no Gana e viveu um pesadelo com o Estrela de Portalegre. Agora procura o sucesso em Angola. A SÁBADO encontrou-o em Luanda e ficou a conhecer um percurso que reflecte uma realidade paralela do futebol moderno – convites pelo Facebook e empresários sem escrúpulos – e a adaptação de um técnico português a África.

"O meu pai esteve na guerra do Ultramar e conheceu aqui a minha mãe, angolana. De todos os meus irmãos, fui o único que já nasceu em Portugal. Havia muitos retornados em Portalegre, mas eram tempos difíceis. Vivíamos seis ou sete dentro de um T1. No entanto, não é por isso que aqui estou. Foi o destino."

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