A expulsão não é um procedimento irreversível, uma vez que os estatutos do clube contemplam a possibilidade de recuperar aquela condição, mediante a aprovação por maioria de dois terços, em assembleia geral convocada para esse efeito.
Os sócios do Sporting decidem, este sábado, se Bruno de Carvalho é expulso do clube lisboeta, ao pronunciarem-se em assembleia geral extraordinária sobre o recurso do ex-presidente à decisão do Conselho Fiscal e Disciplinar do clube a 1 de março de 2019.
Bruno de Carvalho discorda do modo de funcionamento escolhido pela Mesa da Assembleia Geral, por considerar que a votação no Pavilhão João Rocha não deveria iniciar-se antes de concluir a apresentação da sua defesa - para a qual dispõe de 15 minutos -, o mesmo sucedendo com o seu antigo vice-presidente Alexandre Godinho, que também enfrenta a expulsão de associado. Por este motivo, o antigo líder do clube de Alvalade anunciou a intenção de não comparecer na reunião magna.
Esta sexta-feira, em conferência de imprensa, BdC enumerou quatro medidas "anti-Bruno" que considera terem sido preparadas pela atual direção, acusando a "ilegalidade" da assembleia geral, a falta de supervisão e controlo na contagem dos votos, dezenas de sócios antigos programados para votar "sem terem conhecimento" e um novo processo de expulsão ligado à invasão de Alcochete, caso os sócios decidam pela sua permanência.
"Se não formos expulsos amanhã [sábado], está preparada outra palhaçada para o sermos. A AG não cumpre com os estatutos do clube nem com a Constituição Portuguesa. O artigo 32º da Constituição diz que o arguido tem direito a defender-se previamente, mas o julgamento irá começar com a votação na assembleia geral", sublinhou, acusando Frederico Varandas de ser "responsável" pela instabilidade do clube.
"Sinto vergonha pelo presidente atual e restantes órgãos sociais que, após um ano, são incapazes de perceberem a situação e identidade do clube. Fazem o que querem, não querem saber da lei, falam com postura arrogante e todos permitem. Com a nossa presença, não vamos estar a validar uma irregularidade pura. Não é importante estarmos lá", contestou.
"José Preto não abandonou Bruno de Carvalho, apenas defendia que devia haver tribunal de júri e os outros quatro colegas defendiam o contrário. Eu também estive no primeiro interrogatório, em novembro, e decidimos que seria eu a representar o Bruno de Carvalho nesta fase". Foi assim que Miguel A.
"José Preto não abandonou Bruno de Carvalho, apenas defendia que devia haver tribunal de júri e os outros quatro colegas defendiam o contrário. Eu também estive no primeiro interrogatório, em novembro, e decidimos que seria eu a representar o Bruno de Carvalho nesta fase". Foi assim que Miguel A.
"Se me quiserem expulsar, que me expulsem"
Bruno de Carvalho também se dirigiu aos sócios dos "leões", criticando a sua inércia e apelando a que, na assembleia geral, votem pelo Sporting e não por ele. "Se me quiserem expulsar, que expulsem, mas não é assim que o Sporting irá melhorar. O que está em jogo não são as nossas expulsões, mas sim se o Sporting quer seguir o rumo da inércia, de não cumprir com leis e numa ditadura de terror. Talvez a atual presidência seja digna da qualidade dos associados do Sporting", disse.
Presidente do clube "leonino" entre março de 2013 e junho de 2018, Bruno de Carvalho pediu desculpa por ter tentado servir o Sporting "da melhor maneira possível" e de ter "lutado contra o sistema". "Peço desculpa por ter feito o melhor possível para o Sporting. Fui contra entidades com quem lutei sem me proteger, a favor dos interesses superiores do Sporting. Ainda me perseguem, mas estou de pé. Abdiquei da minha vida para servir o Sporting, foi o que sempre sonhei e quis. Avisei os sportinguistas, fui atacado por todos. Não lamento o meu trabalho, mas ter ido para o Sporting não foi bom para a minha vida. Tinha paz e perdi tudo isso", lamentou.
Bruno de Carvalho afirmou que, caso seja expulso, não o irão calar, e que, atualmente, está mais focado no processo da invasão de alguns elementos da claque Juventude Leonina à academia do clube, em Alcochete, no qual é arguido.
"Não é por me expulsarem que me calarão. Desengane-se aquele que pense que esta assembleia geral servirá para me tirar a liberdade de expressão. O processo de Alcochete, no qual enfrento calúnias gravíssimas, é muito mais importante para a minha vida. Estou mais focado em libertar-me de uma mentira e em processar as pessoas que me acusam disso", afirmou.
Um ano "negro"
Em 23 de junho de 2018, Bruno de Carvalho tinha anunciado publicamente que não iria participar na AG realizada na Altice Arena, em Lisboa, mas acabou por comparecer na sessão plenária em que foi decidida a sua destituição da presidência do Sporting, que ocupou entre 2013 e 2018, com 71,36% dos votos.
Bruno de Carvalho, de 47 anos, tornou-se o primeiro presidente "leonino" a ser destituído em 113 anos de história do Sporting, tendo sido posteriormente suspenso por 12 meses, o que inviabilizou a possibilidade de se candidatar às eleições de 08 de setembro, nas quais foi eleito Frederico Varandas.
Paralelamente, Bruno de Carvalho foi constituído arguido no processo de investigação judicial ao ataque à academia de Alcochete, em 15 de maio de 2018, em que foram agredidos futebolistas e técnicos, esteve na base da maior crise institucional do clube e que, no limite, provocou a sua queda e culminou na expulsão de sócio, cujo capítulo final é conhecido hoje, com a votação do recurso.
A expulsão de associado do Sporting não é um procedimento irreversível, uma vez que os estatutos do clube de Alvalade contemplam a possibilidade de recuperar aquela condição, mediante a aprovação por maioria de dois terços, em assembleia geral convocada para esse efeito.
Expulsão: sim ou não? Sócios do Sporting decidem futuro de Bruno de Carvalho
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