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Saiba como ajudar os seus animais a enfrentar a ansiedade

A "doença do século" também afeta os animais domésticos. Rotina, adaptações e óleos essenciais são algumas táticas a que deve recorrer para os ajudar.

A ansiedade é já considerada, mas não afeta apenas os humanos. Também os animais sofrem desta doença. Saiba aqui como identificar e ajudar um animal que esteja a ser afetado por esta condição.

Cão e gato
Cão e gato AP

O que é o stress nos animais

Segundo Teresa Rousseau, médica veterinária e consultora da Pet Remedy, o stress e a ansiedade resultam, em grande parte, da ativação de circuitos cerebrais relacionados com vigilância, medo e resposta a ameaças.

Vários estudos recentes revelam que os animais domésticos estão cada vez mais ansiosos, e para isso muito contribui o estilo de vida do tutor, as mudanças de rotinas, a solidão, falta de estímulos básicos ou os ruídos fortes aos quais são sujeitos diariamente, muitas vezes quando sozinhos em casa. "Entre as causas mais comuns de ansiedade estão: solidão, separação dos tutores, ruídos fortes como trovoada ou fogos de artifício, viagens de carro, idas ao médico veterinário, chegada de novos membros à família, sejam outros animais ou bebés, mudança de ambiente ou rotinas, como horários de passeio e alimentação", enumera a veterinária.

Como se manifestam o stress e a ansiedade em animais

Alguns sinais são evidentes, como a inquietação, os latidos excessivos, esconder-se ou destruição (no caso dos cães). Mas há também alguns sinais que passam mais despercebidos, como o isolamento (no caso dos gatos).

Técnicas para reduzir a ansiedade

Rita Rousseau começa por referir que existem várias formas de ajudar os animais na redução dos níveis de ansiedade, dependendo de animal para animal. "Se o animal está habituado a estar acompanhado e se o tutor sabe que vai passar mais tempo fora de casa, pode começar por aos poucos, nas semanas que antecedem a ausência maior, começar a deixar o animal sozinho durante alguns períodos, para que a mudança não seja tão drástica", começa por exemplificar.

Mas existem outros casos. Pode-se preparar os animais para dias mais barulhentos (festas no bairro, dias com fogo de artifício e foguetes), não deixando o animal sozinho nessas alturas e/ou preparar um espaço para ele numa zona da casa mais calma. Em caso de uma viagem de carro longa, "o tutor do animal pode começar a ambientar o animal quer ao carro, quer à transportadora", fazendo trajetos mais curtos ou levando o animal a sítios de que este goste, para que associe a viagem de carro a uma experiência positiva.

Todas estas dicas podem ser complementadas com os ambientadores e sprays que atuam no sistema nervoso do animal e ajudam a acalmar e a aceitar melhor as alterações que os rodeiam, sublinha ainda a veterinária.

Os óleos essenciais na luta contra a ansiedade

A médica veterinária Teresa Rousseau refere à SÁBADO que vários óleos essenciais têm propriedades calmantes que podem ajudar os animais domésticos. Atuam através do ambiente, sendo lançados via spray ou difusor, afetando o sistema nervoso do animal através do olfato, de modo a reduzir os níveis de stress e ansiedade, mas sem sedar. Estes óleos funcionam da mesma maneira em cães, gatos, coelhos e pequenos roedores.

Entre os óleos essenciais que podem ajudar os animais, Rousseau refere quatro: a valeriana, o vetiver, a sálvia e o manjericão. "A valeriana é provavelmente uma das plantas mais estudadas para promover relaxamento e ajudar a reduzir sinais de stress e inquietação. As suas raízes contêm compostos como os ácidos valerénicos e valepotriatos, que parecem interagir com o sistema GABAérgico. O GABA é um neurotransmissor responsável por reduzir a excitabilidade neuronal e promover um estado de calma", refere a veterinária.

Já o vetiver é rico em "esquiterpenos, incluindo vetiverol e vetivona" e é utilizado " em aromaterapia para promover estabilidade emocional e influenciar áreas cerebrais associadas à resposta dos animais ao stress", sendo que o seu aroma tende a promover comportamentos mais tranquilos. Por sua vez, a sálvia, que contém compostos como linalol, borneol e diversos terpenos, ajuda a promover o relaxamento, a reduzir o estado de tensão e a modelar os neurotransmissores relacionados com o humor.

Por fim, o manjericão está associado a um efeito relaxante ligeiro, a reduzir a resposta fisiológica ao stress e a promover a sensação de bem-estar através da estimulação olfativa, sublinha a consultora especialista em tratamento de animais que sublinha que no caso de os sintomas que o dono do animal identificar persistirem ou agravarem, deve ser consultado um médico veterinário. 

Como é que os óleos essenciais funcionam nos animais?

"Grande parte do efeito ocorre através do olfato: quando inalam determinados compostos presentes nestes óleos essenciais, alguns deles mimetizam a ação do neurotransmissor GABA, favorecendo um estado de calma e reduzindo a resposta ao stress. O GABA funciona como um travão natural que impede que o cérebro permaneça em estado de alerta constante", explica Teresa Rousseau.

Outros neurotransmissores, como a serotonina, responsável pela regulação do humor, do sono, do apetite e da resposta ao stress, e a dopamina, mais associada ao prazer, ao bem-estar e à motivação, também desempenham um papel importante no equilíbrio emocional dos humanos e dos animais.

No entanto, os donos devem lembrar que existem procedimentos de utilização que devem ser respeitados, como a não pulverização diretamente no focinho ou no pelo, recorrendo aos já referidos vaporizadores ou sprays.

Estes óleos afetam também os humanos?

"Os óleos essenciais usados, valeriana, vetiver, sálvia e manjericão, são óleos usados para humanos também e está comprovado que não existe qualquer efeito secundário negativo para os humanos, seja qual for a idade", refere a médica veterinária.