O cancro terá uma vacina?

O cancro terá uma vacina?
Lucília Galha 15 de julho de 2018

O biólogo Noel Miranda criou uma estratégia para ajudar o organismo a reconhecer o tumor. Mas avisa: não haverá nenhum tratamento para todos os casos.

Há principalmente uma, entre outras tantas razões, que explica porque é tão difícil encontrar uma cura contra o cancro. "Nesta doença estamos a contrariar a evolução. O que acontece nas células tumorais é quase como a replicação da evolução das espécies, mas acontece tudo num espaço de tempo muito curto e muitas vezes não conseguimos identificar toda a heterogeneidade do tecido tumoral", explica Noel Miranda. O biólogo de 35 anos, investigador no Centro Médico da Universidade de Leiden, na Holanda, esteve em Lisboa para um encontro sobre Medicina Personalizada em Oncologia na farmacêutica Roche. À SÁBADO falou sobre o futuro do tratamento do cancro através da análise do ADN do tumor.

Fala-se muito de medicina personalizada, e de adaptar os cuidados de saúde ao doente, não à doença. O que quer isto dizer quando se fala de cancro?
A medicina personalizada tem mais a ver com a formação de grupos de pacientes que sabemos que, de acordo com as suas características (por exemplo uma alteração genética), vão beneficiar mais de um tratamento do que de outro.

Não se está então a caminhar no sentido de cada pessoa ter o seu tratamento?
Eu gostava que assim fosse, porque estou a trabalhar numa área específica da imunoterapia em que realmente se utilizam alterações que são específicas de cada doente. Mas há uma coisa que se sabe de antemão: não há nenhuma estratégia que funcione para todos os doentes.

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