Novo medicamento contra Alzheimer não garante "nem utilidade nem segurança"

Novo medicamento contra Alzheimer não garante 'nem utilidade nem segurança'
Diogo Barreto 07 de junho

Alexandre Caldas Castro mostra-se apreensivo quanto à aprovação, por parte da FDA, de um novo medicamento contra a Alzheimer. Especialistas duvidam da eficácia do aducanumab.

A autoridade dos Estados Unidos da América para a alimentação e medicamentos, a Food and Drug Administration (FDA), aprovou, esta segunda-feira, uma nova forma de tratamento para a Alzheimer. Este é o primeiro tratamento para a doença aprovado desde 2003, mas tem havido muitas críticas para o critério escolhido para a sua aprovação. Alexandre Castro Caldas, neurologista e diretor do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica, avisa que a literatura existente sobre o aducanumabe não é "suficiente".

De acordo com a FDA, o aducanumabe é o "primeiro tratamento dirigido à fisiopatologia subjacente da doença de Alzheimer, a presença de placas beta-amiloides no cérebro". O regulador acredita ainda que o medicamento desenvolvido pela farmacêutica Biogen, em parceria com a japonesa Eisai Co., é o único capaz de tratar a doença subjacente, em vez de controlar apenas sintomas como a ansiedade e insónia. Em 2019, a Biogen interrompeu dois estudos do medicamento depois de resultados que sugeriam que o "aducanumabe" (o anticorpo utilizado) não cumpria o objetivo de desacelerar a degeneração mental e funcional em pacientes com Alzheimer. Mais tarde, a empresa anunciou que uma nova análise de um dos estudos levava a concluir que o medicamento era eficaz em doses mais elevadas.

O medicamento foi aprovado via mecanismo Aprovação Acelerada dos EUA que permite aprovar "um fármaco para uma doença grave ou potencialmente fatal" e que pode proporcionar um "benefício clínico apesar de alguma incerteza residual em relação a esse benefício". E é aí que o diretor do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica se mostra algo perplexo com a aprovação deste fármaco. "A literatura disponível não é suficiente e por isso não podemos garantir que seja seguro", diz Castro Caldas em declarações à SÁBADO. "Não tive acesso a toda a literatura, mas daquilo que já li e as impressões que reuni junto de colegas é de que ainda falta algum trabalho para poder garantir a utilidade e segurança deste medicamento."

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