A arma no combate ao cancro do fígado adquirida através do Portugal 2020

A arma no combate ao cancro do fígado adquirida através do Portugal 2020
Sara Capelo 31 de outubro de 2018

Funciona a todo o vapor no Curry Cabral, em Lisboa, há pouco mais de uma semana. Além de ajudar a localizar metástases para embolizar é essencial também para estabilizar doentes traumatizados

Do lado de fora da porta ainda se ouve o pum-pum dos martelos dos operários que estão a reformular o bloco onde funcionavam as urgências do lisboeta Hospital Curry Cabral. Mas assim que a porta se fecha, no interior do Centro Hepato-Bilio-Pancreático e de Transplantação (CHBPT), impera o silêncio. As paredes foram pintadas de cinzento claro. Duas pacientes estão no recobro do corredor à esquerda.

Para seguir para o da frente, onde se iniciará em breve um procedimento num paciente com cancro do fígado de 84 anos, tem que se passar por uma linha vermelha. E, alerta a médica radiologista Élia Coimbra, ninguém entra ali sem primeiro vestir um fato e calçar uns plásticos de protecção. É uma zona esterilizada, onde está a funcionar há pouco mais de uma semana "a full-time" a nexaris Angio-CT, uma máquina que permite procedimentos minimamente invasivos (combina angiografia com TAC) e que ainda não existia na Europa. Na Alemanha há uma versão mais antiga, e nem sequer é usada para tratamento de doentes com cancro.

A trabalhar com um aparelho oferecido pela Fundação Gulbenkian há 15 anos, a médica ansiava por poder usá-la nos seus pacientes (com cancro no fígado ou pulmão mas também traumatizados que chegam à urgência vindos de todo o sul do país) desde que ouviu falar da versão mais antiga (a tal que está na Alemanha) durante um congresso. Quando Eduardo Barroso, o director do centro e de cirurgia do Hospital Curry Cabral (que se reforma da função pública a 31 de Outubro) lhe perguntou se tinha algum projecto para financiamento para o Portugal 2020, falou-lhe com entusiasmo na máquina. 

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