Vendas de câmaras para vigiar animais de estimação disparam

Vendas de câmaras para vigiar animais de estimação disparam
André Rito 01 de maio

Com o fim do teletrabalho, milhares de animais de estimação voltam a ficar sem companhia. Resultado? Disparam as terapias e as tecnologias para ajudar os bichos.

Pouco antes de a pandemia ter chegado a Portugal, Tomás Peixoto e a mulher decidiram instalar uma câmara de vídeo na cozinha para observarem uma cadela que tinham adotado recentemente. "Ficava muito nervosa, sempre a correr e fazia muitas asneiras, sempre que saíamos", recorda o engenheiro informático, de 31 anos, à SÁBADO. Era uma forma de a controlar e perceber o comportamento da
cadela, Becky, na ausência dos donos: inicialmente destruía a casa toda, ladrava e chorava, até que começou a ser treinada para passar mais tempo sozinha.

A câmara, uma vulgar webcam, controla-se através de uma aplicação no smartphone, e foi um aparelho eficaz para sossegar os donos, mas também a ansiedade de separação da cadela, que podia ouvir a voz dos proprietários através do dispositivo. "Dá para escolher o ângulo de visão, rodar, tem um modo de visão noturna uma pequena coluna que nos permite falar com ela", explica Tomás, que se preocupou também em investir no treino, mais até do que nos gadgets que são a grande tendência do mercado em anos de pandemia.A verdade é que o fim do confinamento e o regresso ao trabalho presencial fez disparar a oferta de tecnologia para cães em todo o mundo.

Uma rápida pesquisa no Google é suficiente para perceber a variedade de produtos que foram criados a pensar na pandemia e no bem-estar dos animais. Há doseadores de comida inteligentes – cuja procura, segundo o jornal The Guardian, aumentou 50% – localizadores que funcionam com GPS (não vá o animal fugir) e toda a espécie de brinquedos tecnológicos que prometem entreter a bicharada enquanto os donos trabalham. Esta explosão de novos produtos acompanhou outra tendência que surgiu com a Covid-19: muitas pessoas adotaram ou compraram cães para terem companhia ao longo dos sucessivos confinamentos, quase de forma terapêutica. Por outro lado, como recorda Tomás Peixoto, o cão foi durante quase um ano "a desculpa para sair de casa".

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