Teoricamente, a aplicação não aceita utilizadores menores de 13 anos.
A rede social norte-americana Discord vai aplicar, por defeito, filtros e proteções destinados aos jovens internautas em todas as contas da plataforma e os que pretendam remover estas restrições terão de se submeter ao reconhecimento facial.
Discord usa reconhecimento facial para verificar a idade dos utilizadoresSilas Stein/picture-alliance/dpa/AP Images
Este sistema inicial de classificação etária padrão foi implementado em 2025 no Reino Unido e na Austrália, em ambos os casos para cumprir novas legislações mais restritivas. Teoricamente, a aplicação não aceita utilizadores menores de 13 anos.
Para determinar a idade real de um utilizador, o Discord utiliza um modelo de inteligência artificial (IA) que pode, por si só, remover as restrições de idade sem verificação adicional, caso determine que o utilizador é maior de idade.
Em alguns casos, a plataforma pode solicitar aos utilizadores que enviem um vídeo selfie ou uma cópia do seu documento de identidade.
No primeiro caso, o Discord garante aos utilizadores que o vídeo não será descarregado em mais lado nenhum além do smartphone do utilizador e que a imagem do documento de identidade será apagada imediatamente após a verificação.
A iniciativa Discord surge no meio da pressão de governos e autoridades em vários países para regular o uso das redes sociais pelos jovens.
Em 10 de dezembro de 2025, a Austrália converteu-se em um dos países com a legislação mais rigorosa sobre o uso de Internet por menores de 16 anos, incluindo multas às tecnológicas e que resultou até agora em milhões de contas bloqueadas.
Se a lei não for cumprida, as penalizações recaem exclusivamente sobre as plataformas. Ou seja, se não implementarem mecanismos de verificação adequados, as empresas tecnológicas poderão enfrentar multas de até 49,5 milhões de dólares australianos (32 milhões de dólares americanos ou 27 milhões de euros, à taxa de câmbio atual).
A proibição abrange atualmente as principais plataformas de redes sociais: Facebook, Instagram, Threads, TikTok, YouTube, Snapchat, X, Reddit, Discord e as plataformas de streaming Twitch e Kick, embora a lista possa continuar a crescer.
O governo australiano indicou, no final de 2025, que está a considerar incluir o LinkedIn e o Lemon8 caso note um grande número de jovens a começar a utilizá-los.
Aplicações como o WhatsApp e o Messenger, consideradas exclusivamente para mensagens, estão isentas da proibição e tornaram-se um refúgio para muitos adolescentes que procuram manter o contacto com amigos e familiares.
As autoridades australianas indicaram que as principais empresas de redes sociais removeram o acesso a aproximadamente 4,7 milhões de contas identificadas como pertencentes a menores de 16 anos na primeira quinzena de dezembro.
Por sua vez, o Snapchat bloqueou ou desativou mais de 415 mil contas na Austrália até ao final de janeiro.
Entretanto, outros países, incluindo Espanha e Dinamarca, anunciaram a sua intenção de fazer o mesmo.
Em França, um projeto de lei que proíbe o acesso a menores de 15 anos foi aprovado na primeira leitura na Assembleia Nacional e está previsto ser analisado pelo Senado nas próximas semanas.
Em Portugal, o PSD entregou no início deste mês, no parlamento, um projeto para travar o acesso às redes sociais e outras plataformas a menores de 16 anos, que só conseguiriam aceder com o consentimento dos pais ou dos seus representantes legais.
Em novembro, a plataforma de videojogos Roblox tinha implementado o reconhecimento facial para verificar a idade.
Criado em 2015, o Discord tornou-se inicialmente popular entre os entusiastas de jogos, oferecendo-lhes um espaço para conversar durante as partidas.
Mas a plataforma rapidamente se tornou um refúgio para muitos utilizadores da Internet que procuravam alternativas às redes sociais tradicionais, atraídos pelas suas regras menos restritivas.
A plataforma permite chamadas de áudio e vídeo, bem como mensagens de texto, e oferece a possibilidade de partilhar conteúdos, de forma privada ou pública.
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