Renata Cambra já passou por vários partidos na esquerda, mas foi em 2022, quando foi candidata às eleições legislativas pelo MAS, que ganhou mais notoriedade.
Renata Cambra, professora e porta-voz do partido Trabalhadores Unidos, foi esta segunda-feira autorizada pelo Tribunal Administrativo de Lisboa a manter-se acampada no Rossio depois das 00h30. A ativista, que anteriormente pertenceu ao Movimento Alternativa Socialista (MAS), ganhou mais notoriedade em 2022, quando foi candidata às eleições legislativas pelo círculo eleitoral de Lisboa, mas deixa claras as suas posições políticas desde os tempos da faculdade.
Renata Cambra, uma das porta-vozes do protesto pelo direito à habitaçãoJOSÉ SENA GOULÃO / EPA
Renata Cambra já defendeu que "seria absolutamente absurdo" que a decisão do tribunal se aplicasse só a si, por uma questão de igualdade perante a lei. "Obviamente que tudo isto diz respeito a um protesto que é coletivo. Seria absolutamente absurdo o tribunal dizer que isto é válido para uma cidadã e que todos os outros cidadãos desta República não têm acesso aos mesmos direitos", referiu à Lusa.
Em 2011, quando era militante do Bloco de esquerda e membro da Frente de Ação Estudantil, liderou a lista "Indigna-te" nas eleições para a Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra, cidade onde se encontrava a estudar português na Faculdade de Letras. Nesse mesmo ano foi, tal como André Pestana, subscritora da "Moção C – Mudar de Rumo, por um BE 100% à Esquerda" que se opôs à moção encabeçada por Francisco Louçã.
Em 2019, depois de seis anos a lecionar português na Alemanha, voltou a Portugal e retomou a sua atividade política, desta vez do MAS e em diversos movimentos sociais como a Greve Climática Estudantil, a rede Unitária Antifascista e a Rede 8 de Março. Juntou-se ainda ao Sindicato de Todos os Profissionais de Educação. Foi nesse mesmo ano que integrou pela primeira vez uma lista do MAS, para as eleições europeias, ocupando o 11º lugar e de seguida foi cabeça de lista pelo círculo eleitoral do Porto.
Já no em 2021, o MAS anunciou que Renata Cambra se tornou a sua porta-voz e cabeça de lista por Lisboa nas eleições legislativas de 2022. Cerca de um mês depois das eleições legislativas, em que o MAS não foi capaz de eleger nenhum deputado apesar de ter aumentado os seus eleitores, Renata Cambra apresentou uma queixa-crime contra Mário Machado e Ricardo Pais, por apelo à violência sexual contra as mulheres de esquerda. Ricardo Pais ais afirmou, nas redes sociais, que Renata Cambra teria "tratamento VIP" num contexto de "prostituição forçada" para "motivar as tropas na reconquista".
Em maio de 2024, o tribunal condenou Mário Machado a dois anos e dez meses de prisão efetiva e Ricardo pais a um ano e oito meses de prisão com pena suspensa, pelos crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, tendo ainda sido condenados a um plano de reinserção social focado nos direitos humanos, na igualdade de género e de liberdade e autodeterminação.
Em setembro do mesmo ano, Renata Cambra, anunciou a criação de um novo partido político com o nome de Trabalhadores Unidos. A decisão foi tomada depois de desacordos internos no MAS, incluindo divergências com o fundador Gil Garcia.
O Trabalhadores Unidos afirma posicionar-se como uma força independente, crítica da atuação de setores da esquerda que considera demasiado próximos ao Partido Socialista.
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