Qual é o limite da exposição das crianças?

Raquel Lito , Vanda Marques 20 de fevereiro de 2018

Sim, mas vários outros formatos televisivos, vídeos e fotos nas redes sociais pisam a fronteira. Ouvimos 10 especialistas para saber até onde pode ir a exposição pública.

Entre as quatro paredes de um consultório especializado em adolescentes, o programa SuperNanny vem quase sempre à conversa. Miúdos entre os 14 e os 16 anos não se cansam de questionar se as birras épicas mostradas nos dois episódios transmitidos são reais. Não se revêem nas fitas, nem na intensidade das mesmas – acham-nas infantis e as crianças que as protagonizam uns "bebés". Dos cerca de 20 jovens em terapia individual, a maioria assegura que jamais entraria num formato do género por temer humilhações na escola.

"Serás a próxima SuperNanny?", pergunta um deles a Raquel Ferreira. A terapeuta responde categoricamente que não. Seguem-se as dúvidas dos pais, sobretudo mães dos 30 aos 50 anos que tentam indagar junto da psicóloga da clínica BRD Teen, em Oeiras, se as ferramentas propostas pela "ama" televisiva da SIC (Teresa Paula Marques) são úteis. A valorização pelo reforço positivo eventualmente sim, entre os mais pequenos; mas a exposição pública e o tumulto social em torno do reality show são totalmente desaconselháveis.

O desconforto de alguns menores perante a fama instantânea não vem de agora. Blogues, Instagram, Facebook e afins são outros propulsores de exposição arbitrária, accionados pelos pais – e com mais profusão há cerca de três anos. Não há semana em que a pedopsiquiatra Paula Vilariça, do Cadin (Centro de Apoio ao De senvolvimento Infantil), não oiça queixas dos filhos sobre as fotos "eventualmente humilhantes, com roupa ridícula ou caretas". "Queixam-se quando o comportamento dos pais é repetitivo. Depois falo com os pais, que se mostram muito surpreendidos, porque acham natural, mas tiram sempre os conteúdos", explica a especialista à SÁBADO.

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