Per Sandberg, o ministro anti-imigração que se apaixonou por uma refugiada

Carolina R. Rodrigues 13 de agosto de 2018

A sua relação com a modelo iraniana e a sua viagem de férias ao Irão sem avisar o governo da Noruega levaram-no a abandonar a pasta das Pescas esta segunda-feira.

"Raças, religiões e diferentes culturas não se misturam", afirmou em 2003 Per Sandberg, ministro das Pescas na Noruega, que se demitiu do seu cargo e de número dois do seu partido esta segunda-feira, depois de ser duramente criticado pelo seu relacionamento com Bahareh Letnes, uma modelo e empresária iraniana – e refugiada.

Assumidamente contra a imigração e os refugiados, a relação do político Sandberg com Letnes provocou polémica no país do norte da Europa. Os meios de comunicação locais e utilizadores de redes sociais relembraram o político do Partido do Progresso (FrP, sigla original) das suas declarações e posições sobre outras pessoas que estão na posição da modelo iraniana. Em 2002, Sandberg, com 58 anos, propôs parar completamente a imigração de pessoas fora da área de Schengen e, um ano depois, sugeriu que a "não mistura" de raças e culturas seria a única forma de alcançar uma "sociedade harmoniosa na Noruega". Depois, pediu que se passasse a introduzir pulseiras electrónicas a solicitadores de asilo para os impedir de fugir enquanto esperam que o processo seja concluído. Além disto, o político foi acusado de ter agredido um requerente de asilo em 1997.

Se as medidas propostas pelo político fossem aprovadas, a sua actual namorada teria de as cumprir: Letnes, que já representou o Irão em diversos concursos de beleza, saiu do país do Médio Oriente os 16 anos e pediu asilo ao país escandinavo três vezes, o que lhe foi recusado igual mesmo número de vezes. Foi obrigada a regressar ao Irão. Só em 2008 é que a modelo conseguiu ter o seu pedido aceite, baseado na ameaça de esta ser sujeita a um casamento forçado no Irão enquanto menor, por ordens do seu pai biológico.

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