Repórter do El País seguia num dos comboios que esta quarta-feira embateu contra um outro, provocando a morte de pelo menos 68 pessoas. Ao próprio jornal descreveu os momentos vividos após o embate.
Um jornalista do El País seguia num dos comboios envolvidos na colisão ocorrida esta quarta-feira em Toledo, que provocou pelo menos 68 mortos. Em declarações ao próprio jornal onde trabalha, descreveu os momentos de caos vividos após o embate.
Embate de dois comboios em Toledo provoca 68 mortosISMAEL HERRERO / EPA
“Foi muito chocante. Nos momentos imediatamente após o acidente, antes da chegada dos serviços de emergência, as pessoas gritavam dentro do comboio. No vagão onde eu estava os passageiros foram arremessados para fora do comboio", começou por relatar Antonio Jiménez Barca. "Estava na cafetaria e, de repente, senti como se alguém me tivesse empurrado e atirado para o chão. Bati com a cabeça (...) mas assim que senti a pancada vi que estava bem."
O jornalista conta que o seu primeiro reflexo foi ligar para a mulher "Liguei para dizer que estava bem. Aí fiquei muito tranquilo."
Segundo o repórter, alguns passageiros acabaram por sofrer ferimentos. "Uma pessoa ficou com o braço ferido e outra tinha ferimentos na cabeça. Mas depois conseguimos sair e ajudámos as pessoas a sair do comboio por um buraco aberto no vagão."
Já no exterior, deparou-se com a dimensão da tragédia. "O pior a primeira carruagem porque estava completamente destruída", recorda. "Havia uma pessoa sentada numa cadeira no meio do campo."
Nos primeiros momentos, relata, foram os próprios passageiros a prestar auxílio às vítimas. "As pessoas que percebiam de Medicina começaram a ajudar."
E recordou a reação dos sobreviventes. "A maioria acho que ficou abismada e isolou-se. As pessoas afastavam-se para refletir."
A polícia só chegou depois ao local. Ao início, lembra, "impressionava não ver ninguém".
Um comboio da AVE da Renfe, que tinha partido às 8h com destino a Sevilha, colidiu esta quarta-feira com um comboio da Iryo, que circulava em sentido contrário. Num dos comboios seguiam 156 pessoas e no outro 397. O episódio acabou por provocar a morte de pelo menos 68 pessoas e 179 feridos.
À SÁBADO, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português afirmou que "ainda não existe informação sobre a presença de portugueses no acidente ocorrido" e informou que está "em contacto com a rede local". "A informação encontra-se em atualização", conclui.
Segundo indicaram fontes governamentais, em causa esteve "um erro humano cometido por um operador da Adif [Administrador de Infraestruturas Ferroviárias] durante uma falha no sistema de sinalização principal".
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