Opinião: Um Par de Culpados

Miriam Assor 29 de abril
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Não sabem perder. É preciso ser-se grande para saber não ganhar, mesmo quando seria justo uma vitória. Pedro Pinho agrediu ao som do palavreado da laia de gente que não é gente.

Não sabem perder. É preciso ser-se grande para saber não ganhar, mesmo quando seria justo uma vitória. Pedro Pinho agrediu ao som do palavreado da laia de gente que não é gente. Quem abriu o clima para a violência, como quem está a chamar o touro, foi o presidente do Futebol Clube do Porto. Jorge Nuno Pinto da Costa não tocou, sequer, com uma falange no repórter de imagem da TVI, mas é como se tivesse feito parte activa.

Depois do mal feito, Pinho confessou às paredes hipócritas que se encontrava "arrependido" e disponível para "ressarcir a TVI". É assim, bate, sim, bateu, num jornalista que cumpria o seu trabalho, e o rápido arrependimento, que ao próprio convém, deverá receber piedade e misericórdia de um dia para o outro com euros em cash para pagar os estragos.

Mas o que é que é isto? Se pensa que tem amigos do peito no Dragão é bom que o alfaiate lhe confeccione um colete à prova de balas. A coluna directiva do FCP limpou logo, logo, o lombo e as manápulas: o empresário Pedro Pinho "não tem rigorosamente nada a ver com a estrutura" do clube. Ai tem, tem.

O agressor, que é um adjectivo desenrascado para ser aceite para publicação, pertencia à comitiva do FCP, não obstante o convite do Moreirense, e tinha o automóvel estacionado na zona reservada para elementos portistas. Ou que tivesse vindo ao pé-coxinho. A fotografia manter-se-ia nítida. Pedro Pinho não é um estranho ao presidente do FCP, e vice-versa. Dizem, e não são boatos: não há ninguém que faça a intermediação de tantos negócios de jogadores no FCP como Pedro Pinho. Pois. Os dois vinham juntos do mesmo estádio e com mesmíssima cara de que as favas, afinal, não estavam contadas. Que coisa mais linda. Um presidente de um clube, tido como um dos grandes, a dar caminho para o trabalho menos asseado. Poderia ter tido, nem que fosse para teatro, uma atitude de homem com calças e tentar travar um enfurecido a perder cabeça. Não, senhor. A raiva de Pedro Pinho, o mais influente empresário dos azuis e brancos, fez-lhe, e com gosto, a vontade.

Depois do apito final do jogo Moreirense-FC Porto digeriu o empate 1-1, que lhe soube a derrota, com animalesca pancadaria, estando ao lado, mano a mano, do inspirador mor. Quem cala, consente. E Pinto da Costa consentiu. Pode dizer que não viu nenhuma agressão. E pode dizer o que diz sempre para desdizer o que acontece. Dois pontapés, três empurrões, danos morais e danos provados nos equipamentos são as consequências que começaram com a pergunta cínica que Pinto da Costa dirigiu ao jornalista Francisco Ferreira: "Qual é a novidade?". Que a justiça, desta vez, não arquive, e lhe mostre as novidades, uma a uma.

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