Maria João Abreu, a cuidadora a quem faltou um último golpe de sorte

Maria João Abreu, a cuidadora a quem faltou um último golpe de sorte
Sónia Bento 13 de maio

Adorava o teatro, onde se estreou em 1983, mas foi a televisão que a tornou conhecida. Adorava beijos e abraços e dizia que a sua vida estava cheia de golpes de sorte. A atriz morreu esta quinta-feira, com 57 anos, após ter sofrido um aneurisma cerebral.

"Tenho tido vários golpes de sorte, apesar de ter nascido pobre e de ter presenciado as dificuldades dos meus pais. O teatro foi um golpe de sorte, o meu primeiro marido [José Raposo], os meus filhos, o meu atual marido, os meus netos... Sou uma mulher de sorte. Estou sempre grata à vida", disse Maria João Abreu a Daniel Oliveira, em entrevista no Alta Definição, em 2019. A atriz estava muito feliz por ter ganho o papel da sua vida como protagonista da série Golpe de Sorte, na SIC, que bateu recordes de audiência na primeira temporada. "Tenho a certeza de que é a personagem da minha vida. É muito rica. Foi um presente para mim", disse à revista TV Mais. No mesmo ano, brilhou no musical Sonho de uma Noite de Verão, que a juntou em palco, pela primeira vez, com o ex-marido José Raposo e o filho Miguel Raposo.


Maria João Abreu morreu esta quinta-feira, dia 13, e assim que a notícia chegou aos estúdios da SP Televisão, as gravações da novela A Serra, da SIC, pararam imediatamente. "Está tudo em estado de choque", diz uma fonte da produção. A atriz fazia parte do elenco e interpretava Sãozinha. Tinha-se sentido mal enquanto gravava, no passado dia 30. Desmaiou no camarim e foi levada para o hospital Amadora-Sintra e dali, dada a gravidade do aneurisma cerebral que lhe detetaram, para o Garcia de Orta, em Almada, onde foi operada, tendo ficado em coma induzido até não resistir.

A dedicação aos outros
As redes sociais encheram-se de homenagens de muitos amigos e colegas, como Paulo Pires, Helena Isabel, Fernanda Serrano, Jessica Athayde, Bárbara Norton de Matos, Paula Neves, Inês Herédia ou Nuno Markl. Rui Mendes, que em Golpe de Sorte fez de pai de Céu, papel de Maria João, disse à SÁBADO estar inconsolável: "Não há direito! Estou muito triste, tinha pela Maria João uma enorme amizade e admiração. Trabalhámos muitas vezes juntos em televisão, já em teatro não e tenho muita pena. A Maria João era excelente como pessoa e como atriz, não havia ninguém que não gostasse dela porque ela dedicava-se muito aos outros". O ator, de 83 anos, recorda que ele e Maria João chegaram a fazer de marido e mulher em Isto é Agildo, uma série da RTP. "Nas gravações, levava tudo muito a sério. Era uma grande profissional", acrescentou.

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