Manuel Antunes, o médico que já operou 35 mil corações

Manuel Antunes, o médico que já operou 35 mil corações
Lucília Galha 18 de agosto de 2017

Especializou-se na África do Sul e está em Coimbra há 29 anos a chefiar um serviço sem listas de espera, que fez 330 transplantes

Foi há 41 anos que Manuel Antunes entrou numa sala de cirurgia cardíaca pela primeira vez. Hoje trabalha com uma equipa de cerca de 117 pessoas: 16 a 18 médicos; 70 enfermeiros; 16 auxiliares; cinco secretárias e seis técnicos de circulação extracorpórea. O director do serviço do Centro de Cirurgia Cardiotorácica dos Hospitais da Universidade de Coimbra diz que o serviço não tem lista de espera. 

Manuel trata corações, mas tem medo de olhar para o seu. E tem uma tradição de que não abdica: "Depois de operar um bebé, sou sempre eu que dou o biberão". Nasceu em Portugal, numa aldeia chamada memória, mas em 1954 foi para Moçambique. Aos 69 anos, falou com a SÁBADO durante quatro horas e meia e acabou por perder o comboio para Lisboa –, mas ainda assim, o cirurgião cardiotorácico fez questão de apresentar o serviço. E pelo caminho aproveitou para fechar umas portas, e umas luzes. Já vai perceber porquê. 

Porque decidiu seguir Medicina?
Sinceramente, não sei. A Câmara de Lourenço Marques tinha um posto médico e, quando eu tinha um bocadinho de febre, o meu pai levava-me logo lá. Para mim era um dia de festa porque não ia à escola. Via os médicos a trabalhar e, provavelmente, comecei a tomar-lhe o gosto.

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