Sábado – Pense por si

Líder do movimento Dignitas põe fim à sua vida por suicídio medicamente assistido

O suíço Ludwig Minelli passou três décadas a lutar pelo direito à morte medicamente assistida.

O fundador da organização Dignitas - dedicada ao direito à morte - morreu de forma medicamente assistida este domingo aos 93 anos. 

Ludwig Minelli, fundador da Dignitas, com processos de pessoas falecidas na clínica
Ludwig Minelli, fundador da Dignitas, com processos de pessoas falecidas na clínica Rex Features

Ludwig Minelli, que fundou o grupo em 1998, foi um jornalista e advogado que enfrentou a justiça várias vezes e fez diversos apelos aos tribunais suíços e ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos em prol da aprovação da morte medicamente assistida. Ludwig Minelli não foi eutanasiado, tendo morrido de forma medicamente assistida. O suicídio assistido é diferente da eutanásia, dado que é o próprio doente, tomando fármacos letais, a pôr fim à sua vida, com a colaboração de um terceiro, geralmente um profissional de saúde, que o ajuda a terminar a vida. 

A morte de Minelli foi comunicada pelo Dignitas. "Até ao fim da vida, ele continuou a procurar outras maneiras de ajudar as pessoas a exercerem o seu direito de poderem escolher a forma como lidam com os seus 'assuntos finais'", refere a organização que promete continuar o trabalho iniciado pelo seu líder. 

Apesar de a eutanásia ser ilegal, as autoridades suíças admitem que poderá existir suicídio assistido se for praticado por um doente terminal em sofrimento intolerável e irreversível. Foi na Suíça que nasceram e existem organizações como a Exit e a Dignitas, que ajudam no suicídio assistido.

Em dez anos, de 2009 a 2019, sete portugueses foram morrer à Suíça, apoiados pela Dignitas. Em 2020 havia mais 20 pessoas com residência em Portugal inscritas na associação. Até 2024 mais de quatro mil pessoas foram apoiadas pela Dignitas a terminar a sua própria vida.