Lagos e as praias-poema de Sophia

Joana Emídio Marques 09 de junho

Sophia de Mello Breyner descobriu Lagos nos anos 60. A luz, as casas brancas, as praias, a brisa, as grutas amarelas, os peixes azuis foram uma paixão que durou décadas e ficou incrustrada em poemas. Conheça a Costa D’Oiro da poeta.

Em 1944, quando escreveu o famoso poema "no fundo do mar/ há brancos pavores/ onde as plantas são animais/ e os animais são flores (…)" Sophia de Mello Breyner Andresen [1919-2004], estava longe de imaginar que um dia iria reencontrar esse mesmo fundo do mar, nas águas tranquilas e transparentes da então vila de Lagos. Na verdade só a descobriu no início da década de 60, mas a paixão pela costa onde as rochas de calcário amarelo, as grutas escavadas pela água e o vento se erguem como sonhos surrealistas entre as coisas visíveis havia de lhe durar o resto da vida.

Foi nesta terra de navegadores como Gil Eanes, de onde partiram as caravelas do infante D. Henrique, que Sophia terá escrito muitos dos poemas incluídos no Livro Sexto, de 1964, que ganhou o prémio da Associação Portuguesa de escritores. Ainda assim interessavam-lhe mais as pedras, os peixes, a vida dos pescadores, por não serem meros temas poéticos mas por terem "a dignidade do ser".

Assim, embalados pelo mar, seja em nortada, seja em levante, descemos até Lagos, hoje terra de renome nas revistas de moda e lifestyle e considerada pela bíblica CondeNast uma das melhores praias do mundo. E o mar lá estava verde, translúcido, com variações de rocha escura e areia branca e a prometer que ali o mais excitante está no mar e não em terra.

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