O barro corre-lhes nas veias

O barro corre-lhes nas veias
Catarina Moura 09 de junho

A mais antiga família de oleiros de São Pedro do Corval trabalha o barro há, pelo menos, 160 anos. Foi a escola das mais de 20 olarias desta aldeia junto a Reguengos de Monsaraz.

Num prato branco tosco nas prateleiras da Olaria de Egídio Santos lê-se a data de 1324. Encontrou as raízes oleiras da família num registo da câmara com a data de 1860, pelo que não admira que tenha louças antigas na loja. O que causa espanto é o preço: €10. "Tive esse hábito desde gaiato - pôr datas antigas para enganar as pessoas", ri-se Egídio, enquanto trata de uma encomenda de centenas de pires na sua roda de oleiro elétrica.

Em São Pedro do Corval há mais de 20 olarias - algumas funcionam apenas como lojas mas cerca de 10 ainda fazem as próprias louças, que são para todos os gostos. Há as pinturas e formas tradicionais, há as outras, minimalistas, muito apreciadas pelo mercado francês; há os formatos completamente novos de quem procura inovar e as pinturas abstratas e um ou outro prato com um toque de humor como o de Egídio.

Escola de oleiros
Qualquer que seja o estilo, o oleiro passou pelas oficinas onde agora trabalham os três irmãos, Egídio, Rui e Nélia. Os ateliês e marcas dos três são independentes, mas reúnem-se no nome sonante de Olaria Patalim, onde o bisavô dava trabalho a quem precisasse. "Dava trabalho a toda a gente que tivesse fome. Chegou a ter 20 empregados e só precisava de sete", conta Egídio. Já Nélia, na sua olaria a alguns metros, garante que o avô chegou a dar trabalho a 40 pessoas. O resultado foi uma aldeia de oleiros em que cada um foi começando a trabalhar por conta própria.

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