O País, o Governo, os sindicatos e os assuntos em apreço continuam pendentes como, presumo, os parcos argumentos do manifestante que achou que a nudez era mensagem política.
Passámos pela greve geral e, como
era de esperar, o País, o Governo, os sindicatos e os assuntos em apreço
continuam pendentes como, presumo, os parcos argumentos (suponho que resida
aqui o motivo da ocultação do rosto e não na consciência da imbecilidade do
gesto) do manifestante que achou que a nudez era mensagem política.
Se destaco o que a natureza não quis
destacar é porque entendo que entre a selvajaria dos que ficaram para o fim do
(legítimo) protesto diante do Parlamento e o tradicional espectáculo de
marionetas sindicais organizado pelo PCP, por um lado, e a errática e
oportunista postura da extrema-direita (Ventura foi de adversário a compincha
dos grevistas), por outro lado, haverá um caminho que poderá ser trilhado por
quem queira entender que não é razoável “deixar andar”, por muito que esse
ritmo pachorrento seja parte da idiossincrasia portuguesa.
E surge uma primeira nota de
estranheza: em fase de anteprojecto e com outra ronda negocial aprazada, a
adesão da UGT legitima a suspeita dos que viram aqui forma de compensar a
fragilidade da posição actual do PS e da liderança de José Luís Carneiro. Falo
desta central sindical, porque sobre os dirigentes da CGTP fica mesmo a eterna
questão sobre se saberão assinar, dado que nunca o fazem. Aqui, o segredo é de
Polichinelo: no dia 5 de Dezembro, as declarações de Paulo Raimundo desiludiam
os inocentes, dizendo o “premier” comunista que a retirada do pacote laboral
terminaria garantidamente com a greve geral, assim colocando (também aqui) a nu
o sistema de vasos comunicantes entre o PCP e a CGTP que é, simultaneamente,
prova de vida e pensão de sobrevivência daquele partido.
Vamos às evidências, deixando a
encenação: em primeiro lugar, a tentação do ser humano é pela conservação do
que tem por seguro, não sendo as leis laborais excepção. Qualquer
flexibilização preocupa, mormente quanto mais avançada é a idade daquele que
dela pode ser vítima.
Todavia, não é menos razoável pensar
que só por um incompreensível assomo de masoquismo o Governo agitaria estas
águas num momento em que os indicadores de crescimento económico, salarial e de
empregabilidade lhe são favoráveis.
Dou, por isso, crédito (ou, não
sendo a minha “praia”, o benefício da dúvida) a quem defende que algumas
mudanças são necessárias para dar o salto de desenvolvimento que há décadas nos
escapa. Leio que estamos mais de 20% abaixo do nível de produtividade e mais de
30% abaixo da média salarial da União Europeia, ao mesmo passo em que me
mostram indicadores da OCDE sobre a rigidez excessiva e anacrónica da nossa
legislação laboral.
Será complicado pretender
investimento estrangeiro pedindo que se aceite um regime menos competitivo do
que o de outros países, bem como parece irreal desejar a continuação da subida
dos rendimentos sem um aumento da produtividade.
Se não houver distorção partidária,
confiemos na capacidade de diálogo das partes interessadas e no espírito de
compromisso que é o cerne de qualquer negociação.
Texto escrito segundo o anterior acordo ortográfico
Teresa Morais logrou algo de ganho imediato: fazer cair a nova máscara de André Ventura. Desde as eleições presidenciais que o “grande líder da direita” tentava criar uma nova persona ou mudar de maquilhagem para conservar o eleitorado moderado que granjeou na segunda volta das eleições presidenciais.
Os meus “fregueses” preferidos, além de uma berraria insana (que traduz, salvo melhor opinião, a ausência de algo inteligente para dizerem), acusam-me de fazer stand-up comedy. Ora, desprovido que sou do muito talento que requer a actividade circense, fico-me pela acusação de fazer comédia.
Apesar da demagogia de carregar garrafas de água e de haver dúvidas sobre a genuinidade da quantidade de precipitação que aparece num dos vídeos em que Ventura se “transveste” de Super Homem, Seguro venceu em toda as zonas atingidas pelas tormentas.
Numa altura em que se avolumam evidências dos riscos que trazem os populismos de direita, dou por mim a constatar que se cumpre este ano o centenário do golpe de 28 de Maio de 1926, que viria a pôr fim à I República e a abrir caminho ao que seria o Estado Novo.
Ao retirar Nicolás Maduro da presidência venezuelana, Donald Trump não se limitou aplicar uma solução limite a uma eleição que os Estados Unidos, à semelhança da União Europeia, não haviam reconhecido.
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