Sábado – Pense por si

Gonçalo Capitão
Gonçalo Capitão Deputado do PSD
16 de dezembro de 2025 às 07:00

Uma greve ao léu

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Edição de 27 de janeiro a 2 de fevereiro

O País, o Governo, os sindicatos e os assuntos em apreço continuam pendentes como, presumo, os parcos argumentos do manifestante que achou que a nudez era mensagem política.

Passámos pela greve geral e, como era de esperar, o País, o Governo, os sindicatos e os assuntos em apreço continuam pendentes como, presumo, os parcos argumentos (suponho que resida aqui o motivo da ocultação do rosto e não na consciência da imbecilidade do gesto) do manifestante que achou que a nudez era mensagem política.

Se destaco o que a natureza não quis destacar é porque entendo que entre a selvajaria dos que ficaram para o fim do (legítimo) protesto diante do Parlamento e o tradicional espectáculo de marionetas sindicais organizado pelo PCP, por um lado, e a errática e oportunista postura da extrema-direita (Ventura foi de adversário a compincha dos grevistas), por outro lado, haverá um caminho que poderá ser trilhado por quem queira entender que não é razoável “deixar andar”, por muito que esse ritmo pachorrento seja parte da idiossincrasia portuguesa.

E surge uma primeira nota de estranheza: em fase de anteprojecto e com outra ronda negocial aprazada, a adesão da UGT legitima a suspeita dos que viram aqui forma de compensar a fragilidade da posição actual do PS e da liderança de José Luís Carneiro. Falo desta central sindical, porque sobre os dirigentes da CGTP fica mesmo a eterna questão sobre se saberão assinar, dado que nunca o fazem. Aqui, o segredo é de Polichinelo: no dia 5 de Dezembro, as declarações de Paulo Raimundo desiludiam os inocentes, dizendo o “premier” comunista que a retirada do pacote laboral terminaria garantidamente com a greve geral, assim colocando (também aqui) a nu o sistema de vasos comunicantes entre o PCP e a CGTP que é, simultaneamente, prova de vida e pensão de sobrevivência daquele partido.

Vamos às evidências, deixando a encenação: em primeiro lugar, a tentação do ser humano é pela conservação do que tem por seguro, não sendo as leis laborais excepção. Qualquer flexibilização preocupa, mormente quanto mais avançada é a idade daquele que dela pode ser vítima.

Todavia, não é menos razoável pensar que só por um incompreensível assomo de masoquismo o Governo agitaria estas águas num momento em que os indicadores de crescimento económico, salarial e de empregabilidade lhe são favoráveis.

Dou, por isso, crédito (ou, não sendo a minha “praia”, o benefício da dúvida) a quem defende que algumas mudanças são necessárias para dar o salto de desenvolvimento que há décadas nos escapa. Leio que estamos mais de 20% abaixo do nível de produtividade e mais de 30% abaixo da média salarial da União Europeia, ao mesmo passo em que me mostram indicadores da OCDE sobre a rigidez excessiva e anacrónica da nossa legislação laboral.

Será complicado pretender investimento estrangeiro pedindo que se aceite um regime menos competitivo do que o de outros países, bem como parece irreal desejar a continuação da subida dos rendimentos sem um aumento da produtividade.

Se não houver distorção partidária, confiemos na capacidade de diálogo das partes interessadas e no espírito de compromisso que é o cerne de qualquer negociação.

Texto escrito segundo o anterior acordo ortográfico

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