História

A irmã do rei e Salazar: “O telefone do meu quarto tem o número 842021”

A irmã do rei e Salazar: “O telefone do meu quarto tem o número 842021”
Marco Alves 10 de março

Durante 28 anos, Filipa de Bragança combinou encontros com Salazar, pediu favores para amigos, para a Casa Real e para D. Duarte Pio. As cartas que escreveu ao ditador revelam uma grande cumplicidade e intimidade (inclusive com indicações para ele lhe ligar para o quarto às 23h), e quando Salazar morreu tentou desesperadamente reavê-las. O que se passou entre os dois?

A carta tinha a data de 2 de dezembro de 1940 e fora enviada do Palácio Nacional de Queluz para Oliveira Salazar. D. Filipa de Bragança agradecia um presente dado pelo governante para a estreia de uma nova temporada no "restaurado Teatro São Carlos". Não dizia qual era o presente (dificilmente seria algo com valor, como um colar - seria talvez um lenço), mas realçava que fez "uso d’elle" nessa noite.

Filipa não vivia em Portugal e estava apenas em representação da família real, que se encontrava exilada desde 1910. Salazar não permitia veleidades aos Bragança, mas também não os hostilizava e portanto o tom da carta da infanta Filipa era formal, mas afável, terminando com o seu nome e a data.

Três anos depois, em 1943, Filipa ainda se correspondia com Salazar e o tom da despedida era já mais pessoal: "Sua muito afeiçoada, D. Filippa". Numa carta de 1957, os laços eram já evidentes. "Sua velha amiga, Filippa", assinava. Em 1960 era já apenas "Filippa", e em 1966 despedia-se com uma palavra: "Sua". E depois acrescentou em baixo "Filippa".

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui
Investigação
Opinião Ver mais