Copenhaga continua a ser a cidade mais habitável do mundo. Lisboa sobe, mas fica longe do topo
O Global Liveability Index 2026 coloca a capital dinamarquesa à frente de Viena e Melbourne. A capital portuguesa surge em 54.º lugar.
Copenhaga voltou a ser considerada a cidade mais habitável do mundo no Global Liveability Index 2026, elaborado pela Economist Intelligence Unit (EIU) – a divisão de pesquisa e análise do britânico The Economist Group. O ranking avalia 173 cidades a partir de mais de 30 indicadores distribuídos por cinco categorias — estabilidade, saúde, cultura e ambiente, educação e infraestruturas — e atribui a cada cidade uma pontuação global de 1 a 100. A capital dinamarquesa mantém o primeiro lugar pelo segundo ano consecutivo, à frente de Viena, Melbourne, Sydney e Zurique.
O índice não mede a atratividade turística das cidades, nem pretende avaliar a sua popularidade junto de visitantes. A EIU apresenta-o como uma ferramenta de comparação das condições de vida e dos obstáculos que uma localização pode colocar ao quotidiano, sendo usado, entre outros fins, para decisões de mobilidade internacional, investimento, localização empresarial e definição de compensações em pacotes de expatriados.
Em 2026, Copenhaga obteve 98 pontos em 100, com nota máxima em estabilidade, educação e infraestruturas. Viena ficou em segundo lugar, com 97 pontos, seguida de Melbourne e Sydney, também com 97. O top 10 é completado por Zurique, Genebra, Osaka, Adelaide, Vancouver e Tóquio. Entre as dez cidades mais bem classificadas, todas obtiveram 100 pontos em educação e a maioria alcançou também a pontuação máxima em saúde.
A leitura global é de estabilidade, mas com sinais de divergência entre regiões e indicadores. A pontuação média das 173 cidades manteve-se nos 76,1 pontos, igual ao ano anterior. No entanto, a estabilidade caiu 0,52 pontos em média, refletindo o impacto de conflitos, instabilidade geopolítica e riscos de segurança, enquanto que a saúde melhorou 0,74 pontos. Os índices de cultura e ambiente recuaram ligeiramente, movimento contrário relativamente à educação e às infraestruturas, que tiveram movimentos ascendentes.
A Europa Ocidental continua a ser a região com melhor desempenho, com uma média de 92 pontos, ligeiramente acima da América do Norte, que soma 90. A diferença está sobretudo na saúde, cultura e ambiente e infraestruturas, categorias em que a Europa Ocidental supera a média norte-americana. Ainda assim, a região europeia não ficou imune a perdas: a EIU assinala uma descida marginal em cultura e ambiente, o que contribuiu para travar uma melhoria global mais expressiva.
Para Portugal, o principal dado disponível é Lisboa. A capital portuguesa surge no 54.º lugar, com 89 pontos, depois de subir seis posições e ganhar um ponto no índice. A EIU identifica Lisboa como uma das maiores subidas da edição de 2026 e associa a melhoria a progressos na provisão de cuidados de saúde. Ainda assim, a cidade permanece bastante afastada dos lugares de topo, nos quais as pontuações se fixam entre os 96 e os 98 pontos. Os dados relativos ao Porto estão condicionados à subscrição premium.
Na parte inferior da tabela, o ranking confirma o peso da guerra, da instabilidade política e da pobreza nas condições de vida urbana. Damasco, na Síria, permanece na última posição, com 32 pontos, seguida de Trípoli (Líbia), Dhaka (Bangladesh), Karachi (Paquistão) e Argel (Argélia). Teerão entrou no grupo das dez cidades menos habitáveis, consequência da deterioração de estabilidade associada ao conflito no Irão. Kyiv, afetada pela guerra na Ucrânia, surge em 166.º lugar.
A liderança de Copenhaga assenta numa combinação rara de estabilidade, educação e infraestruturas; a subida de Lisboa mostra ganhos em saúde, mas não apaga os desafios estruturais de uma cidade onde a qualidade de vida continua a ser condicionada por fatores como o acesso à habitação, rendimento disponível e pressão turística.