Um verão diferente no Alto Alentejo

Rita Bertrand 24 de julho de 2020

Alter do Chão é ideal para umas férias seguras em tempos de pandemia: tem boa comida, ruas desertas, monumentos, onde mergulhar… e até umas termas com água que, dizem, cura a Covid. A Vila Galé acaba de abrir lá um hotel

Maria José Vidinha, a guia que nos conduz entre estábulos, casa dos trens (com atrelados de nomes como Flecha ou Au Damont e charretes que eram "táxis" no século XIX, em perfeitas condições) e picadeiro (com aulas) da Coudelaria de Alter – criada em 1748 na Herdade da Tapada do Arneiro, distrito de Portalegre, por D. José, e contígua ao novo Hotel Vila Galé Collection de Alter do Chão –, tem vontade de arrancar a viseira, obrigatória em tempos de Covid-19, para cobrir de beijos o Beirão.

É um cavalo puro sangue da estirpe Alter Real, nascido do cruzamento de uma égua lusitana com um garanhão andaluz, no auge das suas capacidades – com 13 anos, pesados mas elegantes, e ascendência auspiciosa. "Há de trazer-nos muitas alegrias, como o pai dele, o Rubi, que cresceu aqui e em 2012, quando representou Portugal nas competições equestres dos Jogos Olímpicos, era considerado um dos 50 melhores do mundo", conta, orgulhosa, lembrando que belos exemplares como este chegam a ser vendidos por mais de 1 milhão de euros, quando vendidos em leilão, juntamente com poldros de 6 a 40 mil euros e outros "irmãos" com base de licitação a 120 mil.

Têm tratamento de luxo, incluindo solário, massagens e passeios pelos 800 hectares da propriedade, que inclui barragem, e não são castrados: "É desnecessário, pois são sempre dóceis." Assim, o sémen concentrado que ejaculam vai para laboratório e dá para fecundar 10 fêmeas em segurança.

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