'Voz' do conservadorismo nos EUA pela rádio Rush Limbaugh morreu aos 70 anos

Lusa 18 de fevereiro
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Há cerca de um ano, Limbaugh anunciou que foi diagnosticado com cancro do pulmão. Programa durou mais de 30 anos.

Rush Limbaugh, a 'voz do conservadorismo' nos Estados Unidos, insurgente contra o "politicamente correto" que o tornou uma das personalidades proeminentes da política norte-americana e um dos impulsionadores de Donald Trump, morreu hoje aos 70 anos.

Reuters
O anúncio foi feito no programa de rádio The Rush Limbaugh Show pela mulher, Kathryn Limbaugh. Há cerca de um ano, Limbaugh anunciou que foi diagnosticado com cancro do pulmão.

Conservador inabalável, radicalmente partidário, Rush Limbaugh galvanizou os ouvintes durante mais de 30 anos com comentários 'bombásticos' repletos de sarcasmo e insultos, em particular, a personalidades do Partido Democrata.

Um autointitulado 'entertainer', Limbaugh alterou o panorama do conservadorismo político do país e a direção do Partido Republicano no programa semanal de cerca de três horas que era transmitido em quase 600 estações de rádio.

Vários críticos consideraram que o comentador político estava 'abençoado' com uma voz para a rádio, que permitia que pudesse apresentar opiniões como factos. Os seguidores, apelidados "dittoheads" por Limbaugh, que 'bebiam' o que o conservador dizia sem questionar.

"No meu coração e alma sei que me tornei um engenho intelectual do movimento conservador", disse Limbaugh, com a imodéstia que o caracterizava, a Zev Chafets, autor do livro de 2010 "Rush Limbaugh: Um Éxército de Um".

Em 2018, a revista Forbes colocou Limbaugh como a segunda personalidade da rádio mais rica, apenas atrás de Howard Stern, com uma fortuna avaliada em 84 milhões de dólares (mais de 69 milhões de euros).

Limbaugh orgulhava-se da alcunha de "homem mais perigoso" dos Estados Unidos, considerando que era o "polígrafo", o "doutor da democracia" e um "amante da humanidade".

Muito antes da ascensão de Trump e da maneira de fazer política popularizada pelo 45.º Presidente dos Estados Unidos da América, Limbaugh já tinha implementado um estilo de comentário caracterizado por insultos dirigidos a adversários e contra os órgãos de comunicação social 'mainstream', que acusou repetidamente de alimentarem mentiras.

"Maluquinhos", "feminazis", "extremistas liberais", "bichas" e "radicais" são alguns dos insultos utilizados ao longo dos anos por Limbaugh para descrever os elementos do Partido Democrata.

Quando o ator Michael J. Fox, diagnosticado com doença de Parkinson, apareceu num anúncio do Partido Democrata, Rush Limbaugh não se inibiu de "gozar" com os seus tremores.

Entre as críticas consideradas mais desproporcionadas estava a sugestão que fez de que a posicionamento dos democratas em relação aos direitos reprodutivos teria levado ao aborto de Jesus Cristo.

"Espero que falhe", disse Limbaugh, depois da primeira eleição do democrata Barack Obama, em 2008.

Rush Limbaugh também foi várias vezes acusado de racismo, por cantar músicas intituladas, por exemplo, "Barack o Mágico Negro", baseada na música "Puff, the Magic Dragon", que descrevia o antigo chefe de Estado norte-americano de "fazer brancos culpados sentirem-se bem" e que era "negro, mas não autenticamente".

O antigo Presidente dos Estados Unidos Donald Trump disse na Fox News Channel que tinha conversado com Limbaugh há poucos dias, considerando que era "uma lenda", que se destacou pelos instintos políticos, e que esteve "a lutar até ao final".

O também antigo Presidente republicano George W. Bush considerou que o radialista "dizia o que pensava como a voz para milhões de norte-americanos".
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