Investigadores do Porto desenvolvem vacina comestível contra a covid-19

Lusa 12 de novembro
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Falando num projeto "completamente inovador em Portugal", Rúben Fernandes explicou que esta vacina, que finalizada poderá ser ingerida em iogurte ou sumo de frutas, tem como particularidade ter por base plantas de frutos e probióticos geneticamente modificados.

As vacinas são sinónimo de agulhas, contudo, uma equipa de investigadores do Instituto Politécnico do Porto (IPP) decidiu quebrar a regra e produzir uma contra a covid-19 comestível, em formato de iogurte e sumo de frutos.

NIAID-RML/Handout via REUTERS
Esta ideia, que está a ser maturada desde o aparecimento da pandemia de covid-19, começou a ganhar forma há cerca de seis meses e, desde então, muito já foi feito. Neste momento, estão a decorrer os ensaios `in vitro´ e, brevemente, começam aqueles feitos em animais, contou esta sexta-feira à Lusa um dos responsáveis pelo Laboratório de Biotecnologia Médica e Industrial -- LaBMI do IPP, Rúben Fernandes.

Os ensaios vão ser feitos em ratos, peixes e numa espécie de minhoca muito pequena, salientou.

Falando num projeto "completamente inovador em Portugal", o biólogo explicou que esta vacina, que finalizada poderá ser ingerida em iogurte ou sumo de frutas, tem como particularidade ter por base plantas de frutos e probióticos geneticamente modificados, referiu.

Numa sala pequena, onde predominam máquinas, tubos de ensaio e microscópios, pode ver-se, num espaço reservado e só possível de ser manipulado pelos investigadores devidamente equipados, pequenos tubos com ainda mais pequenas plantas no seu interior e discos de vidro com os probióticos.

"As plantas já estão geneticamente modificadas, assim como os probióticos", esclareceu Rúben Fernandes.

Realçando que a ideia desta vacina é que ela chegue facilmente ao utilizador final, o investigador apontou as diferenças entre as atuais e esta: as atuais estimulam a neutralização do vírus e esta estimula a imunidade.

"Portanto, ambos são produtos preventivos, mas neste caso a vacina, vou dizer convencional, neutraliza uma infeção e as vacinas comestíveis têm a propriedade de poderem potenciar as outras vacinas comuns", explicou.

As vacinas vão poder conjugar os probióticos ou plantas geneticamente modificadas ou usar apenas um deles, frisou.

O biólogo adiantou que usando apenas probióticos esta vacina poderá ser uma realidade entre "seis a um ano" porque são bactérias que podem ser rapidamente transformadas.

Já utilizando os frutos, a sua concretização "será bastante mais longa" porque as plantas têm de crescer e dar frutos para que possam ser utilizados na indústria e transformados em sumo, elucidou.

Ressalvando que a vacina está a ser financiada exclusivamente com fundos próprios, Rúben Fernandes observou que vão, numa fase final, ter de se unir a parceiros industriais da área alimentar para a vacina chegar ao consumidor final e ganhar escala.

"Vai ser a indústria que vai decidir que tipo de produto é que vai querer, nós vamos é poder oferecer-lhes várias opções", sustentou.

Apesar de estar a ser direcionada para a covid-19, Rúben Fernandes acredita que a mesma poderá vir a ter interesse para tratar outros tipos de doenças infeciosas.

Sobre a possibilidade de numa eventual nova vaga da pandemia já existir uma vacina comestível, Rúben Fernandes afirmou que "dificilmente".
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