Covid-19: Urgências sobrelotadas por falência de outras respostas

Lusa 29 de dezembro de 2021
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"Temos urgências sobrelotadas. Tem havido uma procura superior à média, quer por conta das patologias não covid, que já é habitual neste período do ano agudizarem-se, quer por conta de casos de covid-19 que têm subido muito fortemente nos últimos dias", disse Xavier Barreto.

Os serviços de urgência dos hospitais têm registado "procuras recorde" nos últimos dias, em grande parte casos não urgentes, devido à "falência" das outras respostas do sistema de saúde, disse esta quarta-feira à Lusa um responsável da associação de administradores hospitalares.

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"Temos urgências sobrelotadas. Tem havido uma procura superior à média, quer por conta das patologias não covid, que já é habitual neste período do ano agudizarem-se, quer por conta de casos de covid-19 que têm subido muito fortemente nos últimos dias", disse Xavier Barreto, vogal da direção da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH).

Xavier Barreto afirmou que se trata de uma subida prevista, mas, disse, "o que não era previsível era a falência das outras respostas para estes doentes", nomeadamente da linha SNS 24 e dos cuidados de saúde primários que estão ocupados com atividades 'Trace-Covid' e com a vacinação.

"Os serviços de urgência hospitalares acabam por ser vítimas dessa falência das outras partes do sistema", com "picos de procura enormes" nos últimos dias.

Segundo o responsável, 30% a 40% da procura que os hospitais têm tido nos últimos dias são de casos não urgentes, particularmente de doentes com covid-19, muitos deles para fazer o teste.

"Não faz sentido que as urgências estejam sobrelotadas com estes doentes, que deviam ter tido um outro tipo de resposta e infelizmente não tiveram", lamentou.

Salientou que há várias semanas que se sabia, até tendo em conta o que estava a acontecer em outros países, que muito provavelmente iria haver "um forte aumento" dos casos covid-19 decorrentes da nova variante Ómicron.

"O que faria sentido era que tivéssemos reforçado as nossas respostas", disse, considerando ser "incompreensível" ter chegado a este ponto com "a falência destas duas linhas".

Para Xavier Barreto, esta resposta era "perfeitamente passível" de ter sido planeada.

"Era uma resposta que podia ter sido criada, que podia ter sido montada para responder a este aumento e simplesmente não foi e não se encontra explicação para isto", lamentou.

Questionado sobre se a saída de muitos profissionais de saúde do SNS e o estado de exaustão em que se encontram também podem dificultar a resposta, afirmou que sim.

"Tem sido muito difícil completar as escalas de serviço de urgência em alguns hospitais, particularmente neste período das festas, que é sempre um período mais difícil e naturalmente também tem dificultado a resposta, mas o fator principal nem tem sido por falhas da resposta tem sido essencialmente por uma falha no controle da procura. Ainda assim tínhamos margem para ter feito muito melhor, criando uma resposta diferente quer no âmbito do rastreio de contactos, quer no âmbito da linha SNS 24 e isso nós não conseguimos perceber porque é que não aconteceu", afirmou.

Aludindo ao reforço da linha SNS 24 anunciado pelo Ministério da Saúde e dos rastreadores de contactos suspeitos de covid-19, Xavier Barreto disse que não faz sentido fazê-lo "depois de o problema já estar criado".

"Devia ter sido feito antes, antecipando o problema e evitando que ele acontecesse", mas, vincou, "vamos esperar para ver o que é que decorre destes reforços (...) e se se consegue recuperar isto, vamos ver".

Em termos de internamentos, disse que, para já, não se verifica uma grande pressão, considerando que "há um aumento progressivo, mas muito longe das linhas vermelhas".

"É possível que isso venha a acontecer nos próximos dias se tivermos um aumento progressivo dos casos, mas neste momento vemos um ligeiro aumento de pressão nos internamentos, mas ainda não é preocupante", rematou.

Portugal atingiu na terça-feira um máximo de novos casos diários de covid-19 desde o início da pandemia, com 17.172, e a ministra da Saúde admitiu que na primeira semana de janeiro o país possa atingir os 37 mil novos casos diários de infeção com o coronavírus SARS-CoV-2.
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