TAP: Miguel Frasquilho reconhece "sacrifícios muito significativos" exigidos aos trabalhadores

Lusa 23 de fevereiro
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Edição de 25 de fevereiro a 3 de março
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"É verdade que podemos reduzir a nossa frota para 88 aeronaves de passageiros, mas, ainda assim, será um número de aviões superior aos 75 que a TAP tinha em 2015, aquando da privatização", recordou.

O presidente do Conselho de Administração da TAP, Miguel Frasquilho, reconheceu esta terça-feira que o plano de reestruturação da companhia exige "sacrifícios muitos significativos" aos trabalhadores, mas também um "grande esforço coletivo" dos portugueses num momento económico difícil.

presidente do Conselho de Administração  da TAP Miguel Frasquilho,
presidente do Conselho de Administração da TAP Miguel Frasquilho, ANTÓNIO COTRIM/LUSA
"Os sacrifícios pedidos a todos, incluindo aos trabalhadores, são muito significativos, mas não podia ser de outra forma, porque nunca é demais recordar que os portugueses estão a fazer um grande esforço coletivo para salvar a TAP e também estão a passar por dificuldades nas suas vidas e nos seus empregos", afirmou Miguel Frasquilho, que está a ser ouvido na Assembleia da República, na comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, por requerimento do PSD e da Iniciativa Liberal.

Na sua intervenção inicial na audição, o presidente do Conselho de Administração da companhia sustentou ainda que, e "ao contrário do que se viu publicado", o plano de reestruturação "não fará da TAP uma TAPzinha".

"É verdade que podemos reduzir a nossa frota para 88 aeronaves de passageiros, mas, ainda assim, será um número de aviões superior aos 75 que a TAP tinha em 2015, aquando da privatização", recordou.

"De resto", salientou Frasquilho, "esta dimensão permite à TAP manter o seu modelo de conexão intercontinental, que liga Europa às Américas e a África e que nos vai permitir manter, e até mesmo reforçar, a missão das nossas operações em cidades como o Porto e Faro, através da TAP Express".

Embora reconhecendo que "a missão de salvar e tornar sustentável a TAP numa situação de mercado tão adversa e tão incerta implicou apresentar um plano que é muito duro à Comissão Europeia", Miguel Frasquilho salientou que houve "sempre a preocupação" que este fosse "prudente, resiliente e credível".

"Queria deixar a nossa convicção de que, quando sairmos desta situação, a TAP conseguirá ser mais competitiva e sustentável e conseguirá alavancar as características geográficas do seu 'hub, utilizando para tal, também, a força de uma frota renovada e ambientalmente mais sustentável", disse.

Segundo o presidente da TAP, o investimento feito na frota 'neo' da Airbus - "mais moderna, económica e amiga do ambiente" - vai permitir à companhia "uma maior eficácia em termos de gasto de combustível", o que possibilitará "não só reduzir custos, mas também diminuir a pegada ambiental e ainda atingir uma vantagem competitiva nas rotas com o Brasil, os EUA, o Canadá e o continente africano".

Miguel Frasquilho salientou que a necessidade de um apoio estatal de 1.200 milhões de euros à TAP acontece "num contexto em que o mercado de aviação atravessa a maior crise da sua história", recordando que "a Lufthansa recebeu um apoio de mais de 9.000 milhões de euros, a Air France de cerca de 7.000 milhões e a KLM de cerca de 4.000 milhões".

"Os apoios estatais às companhias aéreas aconteceram um pouco por todo o mundo. A nível global, e com dados de 2020, terão atingido cerca de 173.000 milhões de dólares [cerca de 142.500 milhões de euros], tendo incluído empréstimos diretos, apoios não reembolsáveis à manutenção dos postos de trabalho (como o 'lay-off' simplificado em Portugal), garantias públicas para financiamento no mercado, injeções de capital e apoios fiscais", precisou.

"Além disso, e de acordo com a IATA [Associação Internacional de Transporte Aéreo, do inglês International Air Transport Association] -- acrescentou -, as companhias aéreas foram ao mercado financiar-se em cerca de 125.000 milhões de dólares [cerca de 103.000 milhões de euros], com destaque para mecanismos como a emissão de obrigações".

"Só entre os empréstimos estatais reembolsáveis e financiamento no mercado, a IATA estima que o setor aumentou o seu endividamento em 220.000 milhões de dólares [cerca de 181.100 milhões de euros]", disse ainda.

De acordo com Frasquilho, o plano de reestruturação apresentado em Bruxelas "não foi uma opção, mas sim uma necessidade para salvar a companhia", propondo-se "assegurar, num primeiro momento, a sobrevivência" da empresa "e, de seguida, a sustentabilidade da TAP e de mais de 7.000 postos de trabalho diretos e quase 100 mil postos de trabalho indiretos de todo o ecossistema de fornecedores".

Relativamente às negociações com os sindicatos representativos dos trabalhadores da companhia, o presidente recordou terem sido já "concluídas com sucesso", sendo que "os acordos com 12 sindicatos, de um total de 14, já foram enviados para publicação".

"Falta ainda a votação em assembleia geral dos acordos com dois sindicatos, que decorrerão ainda esta semana, e até ao próximo dia 28 de fevereiro vão ser publicadas todos os acordos assinados e ratificados, ou, nos casos em que não haja ratificação, será publicado o regime sucedâneo de forma a garantir que todos entram em vigor no dia 01 de março", disse.
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