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Sindicato critica pressão comercial sobre companhias após casos de "fumes" em aviões

Lusa 25 de maio de 2026 às 10:52

Presidente do SPAC referiu que este "é um problema sério de saúde, não só para os tripulantes, mas também para os passageiros e pode afetar a segurança de um voo".

O presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) alertou esta segunda-feira que os casos de "fumes" em aeronaves representam "um problema sério de saúde", criticando a pressão comercial para colocar os aviões no ar rapidamente.

Odores específicos em áreas localizadas da aeronave podem ser prejudiciais à saúde AP

Durante a ConfCAQ 2026 - Conference on Cabin Air Quality, a decorrer em Lisboa e dedicada à qualidade do ar nas cabines de aeronaves comerciais, Hélder Santinhos começou por recordar a história de um colega, que acabou por ter de abandonar a profissão: "Há alguns anos, um dos nossos colegas viveu um evento que mudou a sua vida para sempre".

"Durante a preparação para um voo, um odor estranho invadiu o seu corpo. Pouco depois sentiu-se mal, teve de ser retirado do voo e os sintomas agravaram-se rapidamente", continuou.

"Nunca recuperou por completo. Entre vários problemas graves, os rins deixaram de funcionar, obrigando-o fazer diálise. De um dia para o outro deixou de ser piloto", referiu.

O fenómeno conhecido como "fumes" caracteriza-se pela presença de odores específicos em áreas localizadas da aeronave, sobretudo nas zonas de trabalho da tripulação, podendo ocasionalmente provocar sintomas como tonturas ou mal-estar temporário.

O presidente do SPAC referiu que este "é um problema sério de saúde, não só para os tripulantes, mas também para os passageiros e pode afetar a segurança de um voo".

A 16 de maio um avião da Azores Airlines, com destino ao Porto, não chegou a sair do aeroporto de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, no arquipélago dos Açores, porque a tripulação reportou a deteção de um odor incomum.

A 06 de março, um voo da TAP que partiu de Lisboa com destino a Miami, nos Estados Unidos, divergiu para Ponta Delgada, devido a um caso de "fumes" a bordo.

De acordo com Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), em 2024, houve 1.249 reportes deste tipo de ocorrências na base de dados europeia.

Neste sentido, a direção do sindicato sugeriu medidas para conter este fenómeno, nomeadamente, garantir acompanhamento médico adequado e proteção social na doença e exigir medidas de mitigação a curto prazo, sensibilizando as empresas para o cumprimento rigoroso dos procedimentos de manutenção, resistindo à pressão comercial de colocar os aviões no ar rapidamente.

Trabalhar em soluções definitivas de longo prazo é também outros dos fatores referidos, pois "a saúde dos tripulantes e passageiros deveria ser uma prioridade de todos", afirmou Hélder Santinhos, criticando a ausência de representantes do Governo na conferência que decorre no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL).

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