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Irão: Rubio critica aliados da NATO por falta de apoio aos EUA face a Teerão

Lusa 21 de maio de 2026 às 19:31

O chefe da diplomacia norte-americana Marco Rubio acredita que vários países da Aliança Atlântica partilham da posição de Washington sobre o Irão, mas evitam assumir compromissos concretos.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, criticou esta quinta-feira os aliados europeus da NATO por se recusarem a apoiar os Estados Unidos no conflito com o Irão, acusando-os de beneficiarem da proteção sem assumirem responsabilidades.

Marco Rubio lamenta falta de apoio da NATO no conflito com o Irão Julia Demaree Nikhinson/AP

"O Presidente Donald Trump não lhes está a pedir que forneçam tropas ou enviem caças, mas recusam-se a fazer o que quer que seja", denunciou Rubio aos jornalistas antes de partir para a Suécia, onde participa numa reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO.

"Isso deixou-nos muito chateados", comentou o chefe da diplomacia norte-americana, defendendo que vários países da Aliança Atlântica partilham da posição de Washington sobre o Irão, mas evitam assumir compromissos concretos.

"Muitos países membros da NATO partilham a nossa convicção de que o Irão não deve adquirir armas nucleares e que representa uma ameaça para o mundo", disse Rubio.

O secretário de Estado norte-americano argumentou que foi por essa razão que o Presidente dos EUA, Donald Trump decidiu "agir", numa referência aos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irão desde 28 de fevereiro.

A iniciativa norte-americana gerou reservas entre vários aliados europeus, que criticaram a ausência de consultas prévias à NATO e questionaram os argumentos de Washington e Telavive sobre uma alegada ameaça nuclear iminente por parte de Teerão.

Os receios de escalada regional e o impacto económico do conflito, nomeadamente a subida dos preços internacionais do petróleo, agravaram as divisões entre Washington e alguns parceiros europeus.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou a guerra como ilegal e recusou autorizar o uso de bases militares espanholas por aeronaves norte-americanas.

Já o chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou recentemente que o Irão estaria a "humilhar" os Estados Unidos nas negociações diplomáticas, comentário que terá irritado Donald Trump.

Na sequência dessas declarações, o Presidente norte-americano anunciou a retirada de 5.000 militares norte-americanos estacionados na Alemanha.

Rubio, antigo senador republicano, procurou ainda justificar o crescente debate em Washington sobre o papel da NATO para os interesses norte-americanos, lembrando que sempre foi "um defensor acérrimo da NATO" ao longo da sua carreira.

"Sei porque é que a NATO é boa para a Europa, mas por que é que a NATO é boa para os Estados Unidos?", questionou Rubio, considerando tratar-se de uma questão "perfeitamente legítima".

Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos membros da NATO reúnem-se esta quinta e sexta-feira em Helsingborg, no sul da Suécia, para discutir o apoio à Ucrânia e preparar a próxima cimeira da Aliança Atlântica, marcada para julho, na Turquia.

Portugal está representado pelo ministro Paulo Rangel.

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