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Tate já não reúnem tantos apoios junto de figuras próximas de Trump

Andrew e Tristan Tate foram detidos nos EUA sob acusações de violação e tráfico sexual. Reino Unido está a pedir a extradição dos irmãos.

Os influenciadores das redes sociais Andrew e Tristan Tate estão contestar a sua extradição para o Reino Unido após terem sido detidos nos EUA sob acusações de violação e tráfico sexual. Mas se antes contavam com o apoio de muitas figuras de peso da administração Trump, agora parece terem menos pessoas disponíveis para os apoiar publicamente.

Andrew Tate e Tristan Tate foram detidos
Andrew Tate e Tristan Tate foram detidos AP

Andrew e Tristan Tate cultivaram durante vários anos uma proximidade com pessoas próximas de Donald Trump através de apoios declarados ao candidato presidencial e presidente. Essa tática resultou e houve mesmo uma pressão sobre a justiça romena que levantou uma proibição de viagens imposta aos irmãos, permitindo-lhes deixar o país e viajar pelo mundo o ano passado. Mas agora é diferente.

O Reino Unido apresentou 38 acusações contra os Tate, incluindo violação e tráfico sexual. Andrew Tate foi ainda acusado de pornografia extrema e posse de imagens indecentes de crianças. Os irmãos negaram todas as acusações criminais e disseram que estas eram politicamente motivadas. De acordo com fonte da administração Trump citada pelo , Trump não tenciona intervir pessoalmente no caso e muitos dos aliados de Trump que apoiaram publicamente os Tate no passado estão a afastar-se. Entre esses aliados está Alina Habba, advogada e apoiante declarada dos irmãos Tate, que enfrentavam alegações de tráfico de seres humanos e outros crimes graves na Roménia e no Reino Unido. Numa participação num podcast, em janeiro de 2025, pouco depois de ter sido nomeada conselheira do Presidente Donald Trump, Habba disse a Andrew Tate: “Estou do teu lado”. Mas agora, segundo o jornal norte-americano, nem atende o telemóvel ao representante dos Tate. 

Donald Trump Jr., que chegou a considerar Andrew Tate um amigo e o defendeu em público de anteriores alegações criminais, também nada disse sobre as detenções. O mesmo aconteceu com o seu irmão mais novo, Barron Trump, que mantinha relações amistosas com Andrew Tate. O mesmo aconteceu com Candace Owens, ativista de direita que tem defendido os irmãos publicamente. 

Paul Ingrassia, conselheiro jurídico interino da General Services Administration, que integrou a equipa jurídica dos Tate e os elogiou publicamente, deixou na rede social X uma mensagem, pouco depois das detenções, criticando “processos politicamente motivados”. Ao telefone com o New York Times, Ingrassia disse que a publicação exprimia apenas as suas convicções sobre a detenção. Mas quando questionado sobre se ainda apoiava os Tate, respondeu: “Não tenho qualquer ligação com eles”.

Já Paolo Zampolli, enviado especial dos EUA para as parcerias globais, que recebera os Tate numa festa em Washington dois dias antes de serem detidos, afirmou não ter percebido a dimensão das acusações que recaíam sobre eles. “Não sabia que era caso para detenção”, declarou.

Mas nem todos se estão a afastar dos irmãos. O congressista republicano do Arizona Abe Hamadeh manifestou-se contra a extradição, escrevendo nas redes sociais que “a instrumentalização política da justiça é perigosa”.

Já Tucker Carlson, que entrevistou os Tate e mostrou simpatia com o seu discurso, disse ao NYT que acredita que as detenções estão relacionadas com as críticas dos irmãos a Israel: "Depois de décadas a ignorarem gangues de exploração sexual e a encobrirem Jeffrey Epstein, os governos britânico e americano pareciam ter perdido o interesse em perseguir crimes sexuais, mas depois os irmãos Tate criticaram Israel e fui recordado que há situações em que os governos estão dispostos a agir". 

Joseph McBride, advogado de longa data dos Tate, contestou a ideia de que o apoio aos irmãos tenha diminuído. Afirma não se surpreender por responsáveis da administração Trump que os apoiava manterem, agora, posição mais neutra, dada a participação oficial do governo americano no processo jurídico. McBride assegura que os Tate estão concentrados em contestar judicialmente o pedido de extradição, e não em procurar ajuda junto do círculo de Trump, refere McBride. 

Os Tate, cidadãos americanos e britânicos, fizeram fortuna através da exploração de um negócio de pornografia online, primeiro no Reino Unido e depois na Roménia, além de venda de cursos digitais dirigidos a jovens do sexo masculino. Uma das ofertas chamava-se P.H.D., sigla de doutoramento em inglês, mas neste caso referente a “Pimping Hoes Degree” ("Diploma em chular putas", em tradução livre).

A Roménia abriu a investigação aos irmãos em 2022. Passados dois anos, procuradores britânicos acusaram-nos de violação, agressão sexual e tráfico de seres humanos. Os dois países acordaram que o Reino Unido aguardaria pela conclusão da investigação romena antes de avançar com a extradição, mas esse processo sofreu vários significativos, incluindo uma reversão da proibição de abandonar o país em 2025. Desde então, têm vivido nos Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Hong Kong e Rússia.

Não viajaram para o Reino Unido, onde enfrentavam não só as acusações de 2024 como investigações em curso relativas a outras alegações. Em março, um organismo de fiscalização policial anunciou estar a analisar possíveis irregularidades cometidas pelos agentes que de início investigaram alegações de violação e agressão sexual contra Andrew Tate relativas aos anos de 2014 e 2015. Pouco depois, a polícia britânica reabriu esse inquérito.

No ano passado, depois de os Tate terem visitado a Florida, o procurador-geral do estado, James Uthmeier, abriu uma investigação aos irmãos. O seu gabinete enviou uma mensagem eletrónica a Matthew Jury, advogado de alegadas vítimas dos Tate no Reino Unido, prometendo assistência caso Londres viesse a solicitar a extradição, segundo noticiou o jornal londrino The Times.

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