Boa sorte, Rui Pinto
O Portugal do poder, que sempre odiou o hacker e denunciante, abandona-o no momento mais precário.
O Portugal do poder, que sempre odiou o hacker e denunciante, abandona-o no momento mais precário.
Para atrair e reter trabalhadores, as empresas oferecem cada vez mais apoios extra salariais onde a resposta pública falha: saúde, fertilidade, pensões, habitação e cuidados com filhos e doentes. Os benefícios flexíveis, com zonas cinzentas nas vantagens fiscais, são outra tendência. E também há quem dê mais tempo livre, com o mesmo salário.
Carlos Cabreiro foi acusado de mentir sobre a realização de escutas não autorizadas no âmbito do processo Football Leaks.
Em causa está uma queixa apresentada na Procuradoria-Geral da República onde o atual diretor da PJ é acusado de ter prestado um falso testemunho sobre escutas feitas no processo Football Leaks.
O cerco a Luís Neves cresceu em quantidade, mas não em qualidade. Outras agendas se revelam.
À aristocracia dos vencimentos mais altos – liderada pelo futebol, as maiores empresas cotadas e negócios como a advocacia – juntam-se os novos vencedores da economia: fundadores de unicórnios e barões de fundos. Muitos casos mostram que os maiores ganhos com o trabalho estão além do salário.
O tribunal de arbitragem do Banco Mundial decidiu contra as três entidades sedeadas nas ilhas Maurícias que exigiam mais de 260 milhões ao Estado português, ainda por causa da resolução do BES. Caso aberto em 2022 foi o primeiro naquele tribunal contra Portugal. Fundos podem recorrer, mas hipótese de sucesso é magra.
Investigação a Joe Berardo revelou como os homens fortes do BCP e do Novo Banco estavam disponíveis para perdoar mais de metade da dívida de mil milhões. Judiciária descreveu suspeitas de gestão danosa na Caixa Geral de Depósitos, mas ninguém foi acusado. Carlos Santos Ferreira passou património para a mulher.
As negociações com a MediaForEurope, um contacto aberto por António Horta Osório, incluem a permanência dos Balsemão no capital e na gestão da dona da SIC e do Expresso. Quem mandará no imediato está por acertar, mas os italianos vêm para controlar - agora ou mais tarde. Há otimismo, mas incerteza, sobre a concretização do negócio, que não deverá incluir um perdão de dívida bancária. Os Soares dos Santos pensaram investir, mas queriam cortar a fundo e mandar - Balsemão não aceitou.
O Governo pode fixar serviços mínimos garantidos e fazer outros acertos, dizem os juristas ouvidos pela SÁBADO, que notam a “dificuldade técnica” mesmo em alterações pequenas. Não há margem constitucional para mudanças maiores como, por exemplo, os motivos para a greve.
Os bancos visados pela multa da Autoridade da Concorrência fizeram mais de 50 recursos, alguns com mil páginas, e quando o risco de prescrição já era elevado encharcaram a juíza com centenas de "questões prévias", que a levaram a produzir 107 despachos. Como a litigância feroz da banca, a demora de dois anos a marcar o julgamento e um “detalhe” na nova lei levaram à prescrição da maior multa de sempre em Portugal.
Juízes desembargadores confirmaram condenação do pirata informático pelos crimes de extorsão na forma tentada, violação de correspondência e acesso ilegítimo. Decidiram também devolver vários dispositivos ao hacker e anular a indemnização de três mil euros à Doyen Sports Investments.
A guerra fratricida dos juízes, os pormenores incríveis dos processos disciplinares, as jogadas de bastidores de magistrados, advogados e jornalistas, as escutas e queixas de corrupção, tudo isto e muito mais ficou registado em documentos e na memória de testemunhas privilegiadas. Entre 2015 e 2022, o Tribunal Central foi o mais influente e polémico do País.
Entre as 30 testemunhas arroladas pela defesa do pirata informático no processo do acesso aos emails do Benfica estão ainda políticos, advogados e ativistas pela transparência e direitos humanos.
Na contestação entregue ao tribunal que o vai julgar pelo acesso aos emails do Benfica, de empresas de Isabel dos Santos, advogados e de outras entidades, o pirata informático pede a nulidade de provas, a prescrição de prazos e contesta a qualificação jurídica da maioria dos 242 crimes informáticos pelos quais vai responder. O julgamento começa a 13 de janeiro.
A saga da EFACEC acabou como acabam sempre as empresas “estratégicas”: fomos roubados por milionários.