Os descendentes de D. Pedro II, as damas de ferro da Europa e o turismo de saúde
A newsletter de quarta-feira.
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Há um pai e um filho de costas voltadas, gás lacrimogéneo à porta do palácio e forças policiais. Depois, um tio que não reconhece o casamento do sobrinho, marcado para novembro. Dois ramos disputam a sucessão e, pelo meio, vem à tona uma denúncia: um português pagou 30 mil euros para ser conde, através de um diploma alegadamente emitido em nome da Casa Imperial. O Ministério Público investiga.
Pertenceram a importantes famílias aristocráticas, que receberam reis e rainhas e as figuras mais ilustres de diferentes épocas, nos seus salões e jardins. Há os que ainda são habitados por nobres, os que foram transformados em museus ou sedes de instituições e os que estão ao abandono.
Escolhida pela frescura no século XIV, a vila junto à costa Atlântica tornou-se residência dos monarcas portugueses durante o verão até à perda da independência. No séc. XIX ganhou fama mundial e foi palco de soirées, garden parties , piqueniques e jantares dançantes protagonizados pela alta sociedade.
... mas não vai fazer grandes festas por respeito às tragédias que afetaram o país. O sucessor de D. Duarte Pio, pretendente ao trono de Portugal, é apaixonado pelo mar, pratica vela, surf e mergulho e não tem namorada.
O biógrafo dos dois imperadores do Brasil lançou uma versão atualizada de D. Pedro II – A História Não contada, com cartas que encontrou em arquivos de Portugal e na Áustria. Estas revelam novas facetas do último monarca brasileiro.
Bandeira portuguesa desde que há memória, o bom cozido tem regras, mas tem também história. Os chefs Vítor Adão, Justa Nobre e o gastrónomo Virgílio Nogueiro Gomes traçam-lhe as coordenadas.
O País endividou-se para pagar um dote milionário que assegurasse o casamento com Carlos II. Catarina de Bragança tornou-se assim o garante da aliança com Inglaterra. Suportou todas as humilhações na corte inglesa, mas lançou a moda do chá e do leque, pescava e era atiradora de arco com flecha. Após enviuvar, voltou a Portugal muito rica – foi regente e influenciou o sobrinho que viria a ser o Rei D. João V.
Foi regente por duas vezes e assinou um tratado que até Churchill elogiou – o de Methuen. Reforçou a aliança com Inglaterra e defendeu que as mulheres deviam falar de política. Era determinada e solidária
Bebia chocolate, usava casacos bordados a ouro e tinha representantes em todas as cortes para estar a par da moda. Durante o seu longo reinado o estado recebeu 57 toneladas de ouro.
D. João V recebeu uma das maiores remessas de ouro, criou o maior palácio em Portugal, vestia de forma luxuosa e era conhecido pelos seus excessos. Colecionava amantes, até freiras, ao mesmo tempo que assistia aos autos de fé da Inquisição. Os historiadores defendem que contribuiu para o desenvolvimento do País.
Em 19 anos de reinado teve 21 governos. Tinha fama de autoritária, mas foi a primeira monarca constitucional que incentivou o desenvolvimento da cultura e do ensino público. Apaixonada por D. Fernando II, adorava andar a cavalo, dançar e escrever cartas à Rainha Vitória.
É já este sábado que a noiva entrará na Basílica de Mafra, com a tiara da Rainha D. Amélia. Esperam-se cerca de 1.200 pessoas na igreja e na rua vai haver festa popular, com ranchos folclóricos, bandeiras da monarquia e merchandising à venda. No jantar de gala para 400 convidados, nos jardins da casa da família, vai servir-se vitela barrosã e robalo.
Construíam-se pavilhões, pontes e enormes arcos triunfais para festas que podiam ter três dias seguidos de fogo de artifício. Havia enxovais que valiam mais do que um palácio, joias com 4 mil pedras preciosas e banquetes preparados por 200 pessoas – servidos em mesas com toalhas de ouro.
A princesa bávara, que chegou ao Rio de Janeiro com 17 anos, tinha uma beleza rara. Criou tendências e introduziu hábitos, como o tomar café a seguir ao almoço.
Era hiperativo, sofria de epilepsia e caiu 36 vezes do cavalo. Colecionava amantes – com uma delas trocou mais de 200 cartas – e filhos ilegítimos, mas foi um marido romântico e pai dedicado. Como político, não era agarrado ao poder e escreveu contra a escravatura. Abdicou de dois tronos – o português e o brasileiro –, mas mudou a História para sempre.