Porque uma economia favorável não trava o populismo
Um dos melhores ciclos económicos na nossa democracia convive com a ascensão da direita radical populista. Parece um contrassenso, mas não é.
Um dos melhores ciclos económicos na nossa democracia convive com a ascensão da direita radical populista. Parece um contrassenso, mas não é.
A divulgação incluiu fotografias, registos de chamadas telefónicas, depoimentos do júri e alguns documentos e registos que já eram do domínio público.
E essa gente está carregada de ódio, rancor e desejos de vingança, e não esquecem nem perdoam o medo e a humilhação que aqueles seus familiares (e, em alguns casos, eles próprios, apesar de serem, nessa altura, ainda muito jovens).
A noite foi silenciosa. No Hotel Marriott, habitual quartel-general, nunca se festejou tão pouco. O núcleo duro julgava vencer pelo menos o dobro.
O PSD ganhou seja qual for o prisma e ainda teve o brinde de ver o segundo e terceiro partido reequilibrarem forças, sem que nenhum se reforçasse. O resto é paisagem ou faz de conta. O PS apenas sobreviveu (o que do ponto de vista próprio é ótimo, para Montenegro é melhor ainda), o Chega levou um banho de humildade.
Líder do Chega tinha apontado a "dezenas" de autarquias, mas só conseguiu três e ficou atrás de PCP e CDS. Nunca se viu tão pouca festa em noites eleitorais do Chega.
André Ventura admitiu "criar condições para que haja um meio termo em que essa nacionalidade possa ter uma espécie de decisão judicial dentro da própria decisão judicial, ou seja, uma espécie de reconhecimento por parte do tribunal de que estes crimes devem corresponder a uma perda de nacionalidade", ou seja, "poderia não ser automática".
Como parece demonstrar os resultados das recentes eleições legislativas em Portugal, os fatores humanos pesaram mais do que os ideológicos e económicos.
Com o populista Nigel Farage cada vez mais uma ameaça, o primeiro-ministro inglês atacou as “fronteiras abertas” e entrada em massa de estrangeiros.
Estes votos decidirão se é o PS ou o Chega a ficar em segundo lugar nestas eleições.
Nos últimos 20 anos, o PS e o PSD dividiram os mandatos pela Europa e Fora da Europa, mas este bipartidarismo terminou em 2024, quando o Chega elegeu um deputado por cada um destes dois círculos.
Neste processo de reconciliação entre europeus e britânicos há, pelo menos, dois riscos: o Presidente Trump e política doméstica em Inglaterra.
A sua newsletter de terça-feira
O politólogo José Filipe Pinto considera que o PS deve optar por viabilizar o programa de governo da AD e utilizar esta legislatura para "limpar a casa" e conseguir voltar como "alternativa governamental".
Enganaram-se aqueles que, com miopia elitista, política ou jornalística, pensaram que Ventura era como um cometa – chega, brilha e desaparece. Fica uma lição: foi um erro crasso subestimar politicamente André Ventura.