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Venezuela: PS define como "absolutamente inadmissível" intenção de Trump de dirigir o país

Lusa 03 de janeiro de 2026 às 18:52
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Os Estados Unidos lançaram "um ataque em grande escala contra a Venezuela", para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro.

O responsável pelas Relações Internacionais do PS, Francisco Assis, considerou este sábado "absolutamente inadmissível" a intenção dos Estados Unidos de dirigirem a Venezuela, qualificando-a como "um retrocesso" e apelando a uma condenação por parte da União Europeia.

Dirigente do PS critica intenção de Trump sobre a Venezuela
Dirigente do PS critica intenção de Trump sobre a Venezuela António Pedro Santos/LUSA

"Sobretudo, causou-me perturbação a ideia de que os Estados Unidos vão agora governar, administrar a Venezuela. Isto é um grande retrocesso. Estamos a regressar a uma época histórica que pensávamos completamente ultrapassada. Não faz qualquer sentido, viola todas as regras elementares, constitui uma má mensagem para o mundo, cria um atrito entre o mundo ocidental e as restantes partes do mundo que é altamente negativa, nomeadamente para nós, europeus", avaliou, em declarações à Lusa.

Francisco Assis reagia às declarações do Presidente norte-americano, que afirmou que os Estados Unidos vão "dirigir a Venezuela" até estar concluída uma transição de poder.

"Esta declaração do Presidente [Donald] Trump é absolutamente inadmissível nos seus pressupostos, na sua substância, naquilo que se propõe fazer. Não é assim que se resolvem os problemas", defendeu.

Para o responsável pelas Relações Internacionais do PS, os Estados Unidos cometeram "um erro muito grave" ao deterem Nicolás Maduro e a mulher Cilia Flores numa operação relâmpago noturna das forças especiais.

"Em primeiro lugar, esta atitude merece condenação, porque constitui uma violação grosseira da legalidade internacional, como sabemos. E, para além disso, constitui um erro do ponto de vista dos próprios interesses, da própria regulação do sistema internacional. Isto porquê? Porque cria, de facto, um ambiente de imprevisibilidade, de receio e de medo até em várias zonas do mundo e, em particular, na América Latina", justificou.

Embora lembre que o Nicolás Maduro não tinha legitimidade, uma vez que "as últimas eleições foram uma autêntica farsa", o antigo eurodeputado socialista declarou que "não é por esta via ilegítima que se vai agora resolver um problema de ilegitimidade do governo da Venezuela".

"Compreendo que haja, entre os venezuelanos que estão no exílio, um grande contentamento pela queda do Maduro. Compreendo perfeitamente essa situação. Mas a verdade é que não é esta a forma de resolver os problemas, não é esta a forma de contribuir para a democratização de um país", sustentou.

Assim, Francisco Assis instou a União Europeia (EU) a ser "firme na condenação deste comportamento por parte da administração norte-americana".

"Os Estados Unidos são um grande aliado, são um país amigo, são um país com quem a Europa tem um relacionamento preferencial, mas até por isso nós temos a obrigação de dizer claramente que não concordamos com este tipo de atuação e que este tipo de atuação prejudica o mundo e prejudica muito em particular os próprios Estados Unidos e a UE, porque nos isola mais no quadro internacional", completou.

O responsável pelas Relações Internacionais do PS acredita que a UE deveria "fazer todos os esforços" no sentido de dissuadir Trump de governar a Venezuela.

"Penso que a UE, [...] perante esta declaração, tem que ter um gesto, tem que ter uma atitude, tem que ter palavras mais duras do que aquelas que foi tendo ao longo do dia de hoje, porque é inaceitável a ideia de que os Estados Unidos vão governar a Venezuela, que as empresas petrolíferas americanas vão tomar conta do setor petrolífero venezuelano. Aí sim, já estamos perante não apenas a extração de um dirigente político, estamos perante uma invasão da Venezuela e isso é totalmente inaceitável", concluiu.

Os Estados Unidos lançaram hoje "um ataque em grande escala contra a Venezuela", para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

O anúncio foi feito pelo presidente norte-americano, Donald Trump, horas depois do ataque contra Caracas, não sendo ainda claro quem vai dirigir o país após a queda de Maduro, e admitiu uma segunda ofensiva contra o país se for necessário.

O Governo venezuelano denunciou a "gravíssima agressão militar" dos Estados Unidos e decretou o estado de exceção.

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