A região onde se trabalha em Portugal determina ordenado, funções e horas de trabalho. Estudo ao mercado conclui que trabalhar na capital pode significar quase mais três salários por ano em comparação com outras regiões.
Trabalhar em Lisboa significa mais 525€ por mês do que no interior, o equivalente a quase mais três salários por ano, comparado com outras regiões, revela uma análise ao mercado publicada pela empresa de recrutamento Randstad. Mas o valor está diretamente relacionado com um maior número de horas de trabalho, que refletem também funções mais qualificadas e de chefia.
Há um "fosso remuneratório" entre Lisboa e outras regiões do paísIsrael Andrade/Unsplash
As assimetrias do universo laboral em Portugal são significativas se a análise estiver dividida entre as entre diferentes regiões do País. A mais recente análise da Randstad Research, divulgada no âmbito do Dia do Trabalhador, revela um mercado de trabalho nacional com realidades distintas, marcadas pela oferta de emprego e setores de atividade. Mas é em Lisboa onde as qualificações superiores dos trabalhadores fazem a diferença, resultando numa percentagem elevada de especialistas (37,5%) e de pessoas que integram quadros superiores ou funções de chefia (45,8%), valores bastante acima da média nacional, fixada nos 29,5%.
Estes dados encontram reflexo nos rendimentos e número semanal de horas de trabalho. As remunerações declaradas ao IEFP pelas entidades empregadoras mostram que existe um “fosso remuneratório” de 525€ mensais entre quem trabalha na capital e quem trabalha, por exemplo, no Baixo Alentejo, com a capital a aproximar-se dos 1.800€ e o interior a manter-se abaixo dos 1.300€. No entanto, a valorização salarial está associada a mais horas de trabalho semanais: Lisboa é a região onde mais trabalhadores ultrapassam as 40 horas (21,5% do total). Segundo o estudo da Randstad, a elevada carga horária está ligada ao “peso de funções qualificadas e de maior responsabilidade”, enquanto no Norte, “59,1% dos trabalhadores cumprem a jornada padrão entre 36 e 40 horas, em linha com a rigidez do setor industrial”.
Em comunicado, Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad Portugal, explica que estes dados “mostram que o mercado de trabalho em Portugal continua condicionado pela geografia, não apenas em termos de salário, mas também no acesso a funções de decisão e progressão profissional”. Um “desafio estrutural”, diz, que no seu entender “exige uma visão integrada entre os diversos agentes do mercado e as estratégias empresariais, no sentido de promover a coesão territorial e oportunidades mais equitativas em todo o país”.
Portugal tem um total de 5,28 milhões de pessoas empregadas (mais 3,2% em relação ao ano anterior) e uma estrutura de emprego dominada pelo setor dos serviços. Mas os primeiros cinco lugares das atividades económicas nacionais também revelam um forte cariz industrial: indústrias transformadoras (15,9%), comércio (14,6%), saúde (10,1%), educação (8%) e construção (7,1%).
As regiões Norte e Centro representam o principal eixo industrial do país, enquanto o Algarve e a Madeira dependem mais do turismo. Por outro lado, o mercado de trabalho em Lisboa e a Península de Setúbal concentra o comércio e os serviços e o Alentejo é mais dependente da administração pública.
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