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Portugal desmente Marco Rubio sobre uso da Base das Lajes e PCP propõe uma comissão de inquério

Secretário de Estado norte-americano disse que Portugal foi um dos países que ajudou os EUA antes de terem "especificado a questão", mas Paulo Rangel esclareceu que a autorização para o uso da Base das Lajes só foi dada mediante pedido. O tema voltou a ser centro de debate e levou o PCP a propor uma comissão de inquério.

O Ministérios dos Negócios Estrangeiros desmentiu esta sexta-feira o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que em declarações à imprensa, a bordo do Air Force One, disse que Portugal foi um dos países que ajudou os Estados Unidos na guerra do Médio Oriente ainda antes de ter sido solicitada ajuda.

Paulo Rangel e Marco Rubio
Paulo Rangel e Marco Rubio Direitos Reservados

"Houve países da NATO que nos foram muito úteis e vou destacar um: Portugal. Disseram que sim mesmo antes de especificarmos a questão", disse aos jornalistas ao citar outros países como Polónia, a Roménia e a Bulgária, como bons exemplos.

Contudo, esta sexta-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros português desmentiu as declarações de Rubio e esclareceu que a autorização só foi dada mediante um pedido.

"O pedido a Portugal para utilização da Base das Lajes só foi feito depois do ataque ao Irão, sendo que o Governo português só autorizou mediante condições que foram logo tornadas públicas e que são conhecidas", respondeu o ministério numa nota enviada às redações. "A declaração do secretário de Estado, Marco Rubio, não se aplica, pois, de todo a Portugal e não sabemos se se aplica a alguns dos outros países a que se referiu."

Anteriormente, o ministro Paulo Rangel também já havia esclarecido na RTP que o "pedido de autorização veio depois de terem sido iniciados os ataques". "Nós metemos sempre esta condição de ser em resposta a ataques e se fosse necessário e não contra alvos civis", disse no final de abril.

A questão acabou até por virar debate, num plenário agendado para esta sexta-feira pelo PCP. Neste, o secretário de Estado Adjunto e da Política da Defesa Nacional defendeu que a presença norte-americana nos Açores "tem trazido muitos benefícios para a economia da Ilha Terceira" e disse que o que foi dito "é que Portugal não recusou o acesso à base, ao contrário de outros países europeus".

O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, interpelou de imediato à mesa e acusou Nuno Pinheiro Torres de não ter prestado atenção às declarações de Marco Rubio. "Parece que alguns membros do Governo não leram a intervenção de Marco Rubio. Uma intervenção em que a expressão é 'before we even ask' - antes mesmo de perguntarmos", salientou.

O debate em torno da Base das Lajes, que por momentos parecia esquecido, voltou agora a debate. Esta sexta-feira, o PCP propôs até uma comissão de inquérito sobre o uso norte-americano desta base militar. Na proposta, o partido sugere que o inquérito parlamentar dure 90 dias.

"Há agradecimentos que são autênticas provas do crime", começou por dizer a líder parlamentar do PCP, Paula Santos. "Pode vir aqui desmentir, só falta dizer que a Base das Lajes não fica em Portugal."

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