Os jornalistas é que demonstram interesse, eles, o PCP, é-lhes igual à litrosa que Carlos Brito seja cadáver.
Não é de espantar. Não é. A reação do Partido Comunista Português à morte de Carlos Brito vive perfeitamente em simbiose com o carácter do partido. Quem esperava por comportamento normal, de gente da civilização, de pessoas nascidas e criadas com coração na caixa e olhos e almas livres de palas, precisa de um despertador com o som no máximo. O PCP não amolece a rigidez que a veste. Chove mais depressa malmequeres do que é parida, sequer, pequena transformação. Um colete de força atado ao determinismo impede-o de perceber que, afinal, não são os outros que estão no sentido errado, mas é o próprio que navega em contramão. Não suportar o contraditório e humilhar novos ideais dos mesmos ventos ou de ventania afastada, combina com a tentativa de desprezar um homem no adeus da existência. Em vida foi o que foi, na morte pratica-se uma espécie de ajuste de contas. Miserável. Não apresentou nenhum voto de pesar, acompanha. Que tristeza haver forças políticas cegas e amargas e com discurso de cassete secular teimosa ultrapassada. Na boleia da proposta de José Aguiar Branco, vota o PCP a favor, ao estilo obrigação. Eis a homenagem que entendeu um partido, com linhas teocráticas e habitante do escuro dos ideais, a um camarada visionário que quis tirar o Leninismo da bíblia comunista, por isso, por essa janela que recusa conhecer claridade, de militante passou a ex-militante.
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