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Miriam Assor
Miriam Assor
14 de maio de 2026 às 15:45

Crueldade comunista

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Edição de 12 a 18 de maio

Os jornalistas é que demonstram interesse, eles, o PCP, é-lhes igual à litrosa que Carlos Brito seja cadáver.

Não é de espantar. Não é. A reação do Partido Comunista Português à morte de Carlos Brito vive perfeitamente em simbiose com o carácter do partido. Quem esperava por comportamento normal, de gente da civilização, de pessoas nascidas e criadas com coração na caixa e olhos e almas livres de palas, precisa de um despertador com o som no máximo. O PCP não amolece a rigidez que a veste. Chove mais depressa malmequeres do que é parida, sequer, pequena transformação. Um colete de força atado ao determinismo impede-o de perceber que, afinal, não são os outros que estão no sentido errado, mas é o próprio que navega em contramão. Não suportar o contraditório e humilhar novos ideais dos mesmos ventos ou de ventania afastada, combina com a tentativa de desprezar um homem no adeus da existência. Em vida foi o que foi, na morte pratica-se uma espécie de ajuste de contas. Miserável. Não apresentou nenhum voto de pesar, acompanha. Que tristeza haver forças políticas cegas e amargas e com discurso de cassete secular teimosa ultrapassada. Na boleia da proposta de José Aguiar Branco, vota o PCP a favor, ao estilo obrigação. Eis a homenagem que entendeu um partido, com linhas teocráticas e habitante do escuro dos ideais, a um camarada visionário que quis tirar o Leninismo da bíblia comunista, por isso, por essa janela que recusa conhecer claridade, de militante passou a ex-militante. 

Não era um menino, não era. Perseguido pela sua atividade como militante comunista, preso três vezes, cumprindo um total de oito anos de cárcere, nas cadeias do Aljube, Caxias e Peniche, onde a PIDE o torturou duramente. 

O partido, partido aos bocados, agarrado a bolor, chuta para canto notas biográficas, abriu a caneta para falar sobre o falecimento de Carlos Brito a pedido de vários órgãos de comunicação social. A pedido. Como quem diz, os jornalistas é que demonstram interesse, eles, o PCP, é-lhes igual à litrosa que Carlos Brito seja cadáver. Se havia microscópica duvida que Carlos Brito e os renovadores alinhavam-se no lado onde a liberdade quer povoar e criar raízes , agora, na hora que a terra cobre as folhas caídas, folhas mortas, que é como Cunhal,  apelidava as pessoas que iam saindo da árvore partidária, ficou nítida a certeza. Carlos Brito, uma folha extraordinária, dedicou a sua vida ao partido, não por obrigação, mas por devoção. Tinha a capacidade de ouvir e discordar sem hostilidade. Um comunista que nos dava a possibilidade de falar, uma raridade dentro da Soeiro Pereira Gomes. 

Já há décadas, assustado com número reduzido de deputados, Carlos Brito e outros, como João Amaral, quis alagar horizontes de uma ideologia retrógrada. Hoje, a bancada da foice e do martelo, conta com três deputados. Três. 3. No parlamento europeu, não obstante, serem contra Portugal na Europa, lá conseguiram empregar Carlos Oliveira. Por enquanto, somam 4, quatro, as vozes comunistas, que não dão para coro. A tendência é seguir o destino do Titanic, mas sem violinos e com rio seco. 

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