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PCP critica falta de resposta do Governo perante risco de incêndio no Pinhal de Leiria

Líder parlamentar do PCP, Paula Santos, constatou que se mantêm grandes quantidades de árvores caídas no chão.

A líder parlamentar do PCP afirmou este domingo que a resposta do Governo no Pinhal de Leiria tem sido insuficiente perante o risco de incêndio, pedindo maior mobilização de meios para a remoção de material combustível.

Paula Santos, líder parlamentar do PCP
Paula Santos, líder parlamentar do PCP TIAGO PETINGA

Paula Santos falava após visitar, no âmbito das jornadas parlamentares do PCP, o Pinhal de Leiria, na Marinha Grande (distrito de Leiria), fortemente atingido pelas tempestades do início do ano e onde constatou que se mantêm grandes quantidades de árvores caídas no chão cuja lenha continua por recolher.

Aos jornalistas, a deputada do PCP manifestou-se preocupada com a chegada do período de risco elevado de incêndio em Portugal, ao mesmo tempo que "toda aquela matéria continua no terreno".

"Constitui de facto uma preocupação grande. Aquilo que nós vimos, mais uma vez se constata, é uma insuficiência da falta de resposta por parte do Governo, porque se deveria ter mobilizado meios e recursos para que efetivamente acorrer a estas áreas para procurar retirar o máximo de biomassa", afirmou.

Paula Santos disse estar em causa até uma "certa desvalorização" em relação a esta situação, que "não é de agora".

Para a deputada, a gestão dos últimos anos da Mata Nacional de Leiria revela opções erradas que resultam num aumento do impacto de fenómenos naturais extremos e é necessária uma maior aposta na prevenção.

"Tomar medidas para tornar os territórios também mais resistentes a estes eventos e não é isso que tem sido feito", criticou, apontando para a insuficiência de meios humanos.

A líder da bancada do PCP recordou ainda que o partido já apresentou propostas no parlamento que passam por uma melhor gestão das áreas florestais e uma intervenção que "vá ao encontro do interesse público e não de outros interesses".

Paula Santos insistiu na necessidade de reforçar os meios do Estado, em particular do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

"É preciso que os seus trabalhadores sejam valorizados nas suas carreiras, nos seus salários, e é preciso de facto ter serviços que hoje infelizmente não temos porque eles foram progressivamente sendo depauperados", lamentou.

Durante a tarde deste primeiro dia de jornadas parlamentares, a líder da bancada comunista, acompanhada do deputado Alfredo Maia e do ex-parlamentar António Filipe, conversou com Mário Oliveira e Sérgio Duarte, da Oikos - Associação de Defesa do Ambiente e do Património da Região de Leiria.

Os representantes da associação alertaram a delegação do PCP para a importância de integrar a população local no planeamento do pinhal, bem como a urgência de valorizar salários e carreiras dos operacionais.

Adicionalmente, defenderam a criação do Museu da Floresta como forma de salvaguardar o património regional e a implementação de medidas de controlo de espécies invasoras.

O presidente da Oikos, Mário Oliveira, apelou igualmente a que as receitas provenientes da comercialização da lenha sejam reinvestidas no próprio pinhal, notando que há um lucro obtido "a partir da desgraça".

Deixou ainda um aviso para tempestades futuras e os seus potenciais impactos: "Se tivermos ventos fortes que deitaram abaixo mais de metade [do pinhal], a metade que sobra corre riscos de agora voltar a cair com ventos menos intensos porque estamos muito mais expostos."