O plano de Pedro Marques Lopes para passar de ilustre desconhecido a influente

O plano de Pedro Marques Lopes para passar de ilustre desconhecido a influente
Marco Alves 15 de abril

Sedutor e dramático, fez as amizades que o levaram para os blogues, jornais e programas que interessavam. Foi próximo de Passos e de Sócrates ao mesmo tempo e hoje é amigo de meia Lisboa, enquanto a outra meia o despreza.

"Era suposto ser um almoço, mas ele preferiu um jantar." No dia 24 de agosto de 2008, o Diário de Notícias (DN) publicava mais uma edição da sua rubrica Dois Cafés e a Conta, que era escrita aos domingos pelo jornalista Jorge Fiel e se resumia a uma pequena entrevista à mesa com uma personalidade. Mas naquela edição quem escreveu a rubrica não foi Jorge Fiel, mas Fernanda Câncio. O entrevistado era Pedro Marques Lopes e a conta do jantar a dois no Pap’Açorda chegou aos €127,50: couvert (€5), carpaccio de mero (€16), pimentinhos padron (€10), linguadinhos fritos (€18), caldeirada (€25), Quinta dos Quatro Ventos tinto (€28), flûte de champanhe Mumm (€15), mousse de chocolate (€7), água do Luso (€2) e café (€1,50).

No texto, Câncio escrevia que Pedro Marques Lopes (PML) era uma estrela em ascensão: "Em pouco mais de seis meses, passou de ilustre desconhecido a vedeta do Jornal das 9 da SIC Notícias". Era um exagero, mas PML estava de facto em alta (ia começar também a comentar no Eixo do Mal) e Câncio terminava dizendo que "vai haver muitas ocasiões para falar de Pedro Marques Lopes". Foi uma frase profética. Poucos meses depois, PML aparecia como novo cronista do DN depois de o seu nome ter sido sugerido no jornal por Fernanda Câncio, como confirmaram à SÁBADO dois elementos da direção da altura.

Ao mesmo tempo, Pedro Marques Lopes era também próximo de José Sócrates (primeiro ministro e namorado de Fernanda Câncio), ao ponto de o receber em casa em jantares, como revelam à nossa revista duas fontes que estiveram nesses repastos, onde também iam outros membros do Eixo do Mal. Sócrates podia até ir a pé, porque a casa de Marques Lopes, na Borges Carneiro, distava apenas 200 metros da residência oficial do primeiro-ministro.

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