O grande banquete da Imprensa Nacional

O grande banquete da Imprensa Nacional
João Pedro George 01 de abril de 2019

Não estamos a falar de niquices, alguns destes livros são recomendados pelo Plano Nacional de Leitura e foram publicados na editora do Estado. Mega Ferreira e outras figuras assaz extraordinárias (1.ª parte)

Escrevo este texto contra o aviso de vários amigos e amigas, que me disseram: «Cuidado com o Mega. Não te metas com o Mega. O Mega é demasiado poderoso e rancoroso, vai de certeza exercer pressão ou mover influências nos bastidores para prejudicar a tua actividade profissional. Não te esqueças que tens duas filhas para criar». Se fosse mesmo assim, o que não creio, tal seria a prova de que o sistema está totalmente coberto de lodo, que Portugal continua a ser um meio pantanoso, não drenado, e que o 25 de Abril não mudou coisa nenhuma. Nesse caso, publicar textos como este, que poderão um dia servir de esclarecimento para os historiadores do futuro, ainda mais se justifica. E constitui um dever imperioso daqueles que prezam a liberdade de expressão e o espírito de livre exame. Algo com que o próprio Mega Ferreira concordará sem dificuldade: «Desde há muitos anos que considero o sentimento corporativo, muito persistente na sociedade portuguesa, o maior obstáculo ao aprofundamento da democracia e da liberdade de crítica e de pensamento. (…) O sentimento corporativo estende-se a tudo, quando o exercício livre da crítica levanta lebres que possam ser consideradas incómodas para os visados» (Papéis de Jornal, INCM, p. 35). Isto dito, meus senhores, vamos lá.

Introdução
Ainda falta dizer muita coisa sobre o assunto de todas as conversas: a influência das lealdades familiares na administração dos dinheiros públicos. O que sabemos ao certo, para já, é que o momento histórico actual será recordado, no futuro, como particularmente favorável ao recrutamento de indivíduos unidos, por laços de parentesco, a vários elementos com posições no Governo, no poder local e nas empresas do Estado.

Um exemplo picante, mas escassamente conhecido, é o do director da Unidade de Publicações da Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM), Duarte Mega Ferreira Rodrigues Azinheira. Não é preciso recorrer a um genealogista para perceber que se trata de um familiar – sobrinho – de António Mega Ferreira.

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