Níveis de ruído baixaram drasticamente perto do aeroporto de Lisboa

Lusa 29 de abril de 2020
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Organização ambientalista Zero frisa que "é impossível cumprir a legislação em Lisboa com o aeroporto em funcionamento normal".

Os níveis de ruído nas proximidades do aeroporto de Lisboa diminuíram drasticamente, especialmente devido à quebra na aviação provocada pela covid-19, segundo medições feitas pela organização ambientalista Zero.

Aeroporto Lisboa ANA
Aeroporto de Lisboa
Aeroporto Lisboa ANA
Aeroporto de Lisboa

Depois de em julho do ano passado ter durante alguns dias medido o ruído no Campo Grande, próximo do aeroporto Humberto Delgado, a Zero voltou agora a fazer medições ao ruído no mesmo local. E conclui que "é impossível cumprir a legislação em Lisboa com o aeroporto em funcionamento normal" e que "a sua relocalização tem de ser equacionada no médio prazo".

Numa altura em que há pouco trânsito e poucos voos, devido às restrições impostas pelas medidas de contenção da pandemia de covid-19, foram detetados alguns picos de ruído, especialmente devido a motos, e concluiu-se que durante a noite foi cumprido o valor legal de limite de decibéis, "apesar de os valores estarem muito próximos do máximo possível", explica a associação em comunicado.

Assim, entende a associação, de momento está a cumprir-se a lei, o que não acontecia no ano passado, sendo que em termos de sensação auditiva o ruído em julho de 2019 era mais do dobro do registado agora.

A campanha de medição do ano passado, a que a Zero chamou "dÉCIbEIS a mais, o inferno nos céus", de alerta e sensibilização para o ruído dos aviões e o seu impacto na cidade de Lisboa, continua a ser pertinente, "dado que o Governo português mantém, mesmo no quadro do enorme impacte na aviação da crise associada à covid-19, a intenção de ampliar de forma muito significativa a capacidade do Aeroporto Humberto Delgado".

Comparando as medições do ano passado com as deste ano, em termos de imagem, a do ano passado forma uma mancha quase contínua de picos de som como resultado da passagem de aviões, enquanto na imagem deste ano há apenas picos esporádicos.

No comunicado a Zero lembra que o ruído causa uma forte perturbação na qualidade de vida das pessoas e está ligado a doenças crónicas, e assinala que a quase inexistência de voos, associada a alguma redução do tráfego rodoviário, "mostra que é possível cumprir os limites da legislação".

A associação ambientalista defende uma reflexão sobre a forma de reconstrução da economia "de um modo mais sustentável, em linha com a resolução de outras crises como a crise climática" e tendo em conta "o aumento de emissões enorme que a aviação tem tido nos últimos anos e que na sequência da atual paragem vai ter uma recuperação lenta e talvez apenas parcial".

Deve-se por isso, acrescenta, procurar diversificar as atividades ligadas ao turismo. E diz que não se pode perder a oportunidade de discutir a inevitável relocalização do aeroporto Humberto Delgado, no médio prazo, "se se quiser respeitar a legislação e acima de tudo salvaguardar a saúde dos habitantes em redor".

A Zero reitera "que os próximos 40 anos não podem ser decididos de forma irresponsável e impune" e que se o aeroporto é fundamental para o turismo, para o desenvolvimento e para a economia, também não se pode esquecer a saúde de quem vive próximo, pelo que o seu funcionamento não pode ser decidido de forma "opaca" e pouco "pensada e discutida".

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