Colecionador de arte, João Marques Pinto também fez parte do núcleo inicial da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva (FASVS).
O empresário João Marques Pinto, primeiro presidente da Fundação de Serralves, morreu, anunciou esta segunda-feira a Fundação, num comunicado em que lamenta a morte de "uma das figuras mais marcantes" da sua história.
João Marques Pinto teve um papel decisivo na génese da Fundação SerralvesInstagram Fundação Serralves
"A Fundação de Serralves lamenta profundamente a morte de João Marques Pinto, seu primeiro presidente, uma das figuras mais marcantes da história da instituição", lê-se no comunicado.
João Marques Pinto foi presidente do Conselho de Administração da Fundação de Serralves desde a sua criação, em 1989, até 2000, e, posteriormente, presidente do Conselho de Fundadores.
De acordo com a nota de imprensa de Serralves, o empresário e colecionador foi um dos grandes idealizadores e construtores do projeto Serralves, mantendo até ao presente uma ligação ativa à instituição como membro do Conselho de Fundadores e Fundador Patrono.
"Portuense com visão cosmopolita, grande capacidade de liderança e uma profunda convicção no papel transformador da Arte e da Cultura, conduziu a concretização de um projeto então pioneiro em Portugal: uma instituição independente, de vocação internacional, assente numa parceria inovadora entre o Estado e a sociedade civil", acrescenta o comunicado.
Sob a sua presidência, prossegue a fundação, "foram lançadas as bases institucionais e culturais de Serralves, consolidou-se o seu modelo de participação cívica e mecenática e concretizou-se o Museu de Arte Contemporânea, projetado por Álvaro Siza e inaugurado em 1999".
"João Marques Pinto soube reunir pessoas, vontades e instituições em torno de uma visão ambiciosa para a cultura portuguesa, e em particular para a Arte Contemporânea. Fê-lo com determinação, inteligência, elegância, capacidade diplomática e um inabalável sentido de serviço público", prossegue o comunicado.
Segundo a fundação, quando concluiu o seu mandato, "Serralves era já uma instituição aberta ao mundo, reconhecida internacionalmente e preparada para continuar a crescer".
"O seu legado permanece vivo em tudo aquilo que Serralves é hoje: no seu património, na independência e ambição da instituição, na sua relação com os fundadores, os mecenas, os artistas e o público e na convicção de que a Cultura é essencial à construção de uma sociedade mais livre, mais desenvolvida e mais humana", lê-se ainda.
Em 2014, a Fundação de Serralves prestou-lhe uma homenagem pública de reconhecimento pelo papel decisivo que desempenhou na criação e afirmação da instituição.
Cinco anos mais tarde, em 2019, o seu extraordinário contributo para o país foi igualmente reconhecido pelo Presidente da República, com a atribuição da Ordem do Infante D. Henrique.
Colecionador de arte, João Marques Pinto também fez parte do núcleo inicial da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva (FASVS), tendo sido membro do seu Conselho de Patronos.
Em 2023, foi homenageado pelos seus pares neste conselho com uma exposição no Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, em Lisboa, assente em obras de Maria Helena Vieira da Silva, provenientes da sua coleção.
"Em Portugal têm sido poucas as pessoas disponíveis para apoiar desinteressadamente as atividades da Cultura. Entre as exceções, tem lugar destacado João Marques Pinto, que tem prestado um enorme contributo para a Cultura em geral e as Artes em particular no nosso País, o que tem feito por duas vias: pela participação com relevo em instituições com papel decisivo no apoio às Artes e reunindo uma coleção que valoriza os artistas portugueses nela representados", lia-se num texto de apresentação desta mostra, assinado pelo presidente do Conselho de Administração da FASVS, António Gomes de Pinho (que também fez parte do núcleo fundador de Serralves, presidiu a fundação e o seu Conselho de Fundadores) e pelo presidente do Conselho de Patronos da FAVS, o advogado Daniel Proença de Carvalho.
"O que o motivou como colecionador", prossegue o texto, "não foi, como frequentemente sucede, um impulso de investidor, antes a sua apurada sensibilidade artística, o seu gosto e o seu sentido de responsabilidade para com a sociedade de que o mecenato é uma das suas formas".
"João Marques Pinto deixa, pelas instituições por onde passa, uma marca indelével, fruto da sua personalidade sensível e elegante, do seu espírito de serviço público e da sua forte convicção sobre o papel insubstituível da Arte e da Cultura na construção das sociedades livres e desenvolvidas", concluía o texto assinado por Gomes de Pinho e Proença de Carvalho.
João Marques Pinto foi sucedido por Teresa Gouveia (2001-2003), à frente da Fundação de Serralves.
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