O fundo é financiado por donativos recolhidos por MB WAY, transferência bancária ou donativo 'online' e foi criado na sexta-feira.
O Fundo de Emergência Social de Apoio às Vítimas da Tempestade Kristin criado pela Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima atingiu 250 mil euros em menos de 48 horas, disse este domingo à agência Lusa o diretor de serviços.
População limpa rasto de destruição deixado pela depressão KristinLusa
"A Cáritas Diocesana de Leiria encontra-se com grandes dificuldades em aceder à conta, tendo em conta também os grandes problemas com as telecomunicações. Contudo, já poderemos afirmar com toda a certeza, que já angariámos cerca de 250 mil euros", declarou Nelson Costa.
O fundo, financiado por donativos recolhidos por MB WAY, transferência bancária ou donativo 'online', foi criado na sexta-feira à tarde após a Cáritas ter participado numa reunião da Proteção Civil com o Município de Leiria, e em sintonia com o bispo diocesano, José Ornelas.
Segundo este responsável, no decorrer da próxima semana, o objetivo é "entrar em contacto com os diversos municípios que fazem parte da área geográfica da Diocese de Leiria-Fátima".
"Vamos criar uma equipa multidisciplinar, composta por elementos da Cáritas Diocesana de Leiria e com outros elementos dos concelhos vizinhos", adiantou Nelson Costa.
O diretor de serviços esclareceu ainda que vai ser feito "um levantamento efetivo das necessidades das pessoas, a nível de habitações e tudo o mais", para depois esta entidade "canalizar, da melhor forma, e dignificar também o dinheiro" que lhe foi confiado e evitar erros do passado.
Questionado sobre que tipo de ajudas chegam à Cáritas, Nelson Costa exemplificou com alimentos.
"O Município de Leiria já suspendeu a recolha de bens alimentares e de produtos de higiene. A Cáritas Diocesana de Leiria não o fez, porque a nossa área de intervenção não é só Leiria, mas também os outros concelhos vizinhos", como Batalha, Marinha Grande, Porto de Mós, Ourém ou parte de Pombal, explicou.
No sábado, a pedido de uma entidade pública de Alvaiázere, foram encaminhados bens para cerca de 30 pessoas, referiu.
"A generosidade e a solidariedade nos dias de hoje também não podem ter limites geográficos de intervenção", destacou, dando conta que aquelas surgem de todas as formas e locais.
Nelson Costa relatou que, na sexta-feira, uma mulher saiu do trabalho, no Porto, pelas 18:00, e chegou a Leiria com o carro cheio de bens, para sublinhar que iniciativas como esta repetem-se.
Na sexta-feira, a Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima anunciou o reforço do apoio à comunidade, para assegurar que ninguém fica sem resposta, devido ao impacto do mau tempo, que também danificou instalações da instituição.
Referindo que acompanha com elevada preocupação a situação de emergência que ainda se vive em vários locais da região, "onde persistem falhas significativas no fornecimento de eletricidade, no abastecimento de água e nas comunicações, afetando um número considerável de famílias e instituições", a Cáritas coloca "à disposição todos os seus recursos humanos, logísticos e sociais para apoiar as pessoas em maior situação de vulnerabilidade".
A Cáritas está também a recolher alimentos não perecíveis, produtos de higiene, lonas, cordas e outros materiais essenciais na sede da instituição, em Leiria.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Este sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de hoje para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
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