Maria Antónia Palla: "O meu filho não tem tempo para andar a visitar a mãezinha"

Maria Antónia Palla: 'O meu filho não tem tempo para andar a visitar a mãezinha'
Maria Henrique Espada 11 de novembro de 2017

A mãe de António Costa foi das primeiras mulheres jornalistas em Portugal, teve uma carreira longa e marcante. Casou-se aos vinte anos, com Orlando da Costa, fez reportagem pelo mundo todo, mostrou uma mulher a abortar na televisão e foi dispensada da RTP - pelo marido.


Para os netos, filhos de António Costa, Maria Antónia Palla é só a avó que faz óptimas batatas fritas. Mas a mãe do primeiro ministro tem uma biografia cheia de peripécias: casou-se aos 20 anos com Orlando da Costa, de vermelho, amou dois homens ao mesmo tempo, recebeu cartas do filho através de Otelo e, aos 84 anos, lembra-se bem disso tudo. E há razões para que seja lembrada: esteve no grupo das primeiras mulheres portuguesas a entrar numa redacção como jornalista, na década de 60.


Marcou a agenda feminista em Portugal ao assinar uma reportagem na RTP, em 1976, em que uma mulher abortava - o marido, administrador da estação pública, suspendeu-lhe o programa e ela ainda teve de ir a tribunal. A SÁBADO publica na edição nº 706, esta semana nas bancas, uma entrevista de vida a Maria Antónia Palla. Em que se fica a saber, por exemplo, que tentou educar o filho de forma feminista - até lhe deu uma boneca - e o resultado disso. Vê pouco António Costa - "o meu filho não tem tempo para andar a visitar a mãezinha" - mas não é um queixume, é uma constatação realista e até compreensiva de quem também fez e faz muito mais do que seguir o que faz o filho pela televisão. No final da próxima semana é reeditado, pela editora Sibila, o seu livro de reportagens Só acontece aos Outros, com histórias de violência dos anos 70. 

Nasceu em 1933, no Seixal, e a sua avó era uma espécie de feminista antes de o termo ser usado.
O meu avô e a minha avó eram republicanos retintos. O meu avô, totalmente anticlerical. A minha avó não ia à igreja, mas quando foi a campanha do general Norton de Matos pediu a uma senhora que era criada dela que fosse encomendar umas missas pela vitória dele [risos]. Os meus netos, por exemplo, foram, até há pouco tempo, a quarta geração de não baptizados na família.

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