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Livre reúne-se em busca de novos protagonistas após saída de Rui Tavares da liderança

Candidatam-se três listas: uma de continuidade da atual direção e duas divergentes da estratégia que tem sido seguida.

O Livre realiza este fim de semana o seu 17.º Congresso, em Sintra, Lisboa, que deverá marcar uma nova fase do partido em busca de novos protagonistas, após a saída de Rui Tavares do cargo de porta-voz.

Isabel Mendes Lopes encabeça a lista A
Isabel Mendes Lopes encabeça a lista A ANTÓNIO COTRIM/LUSA

A reunião magna, que arranca presencialmente no sábado, no Hockey Club de Sintra, em Lisboa, vai eleger os órgãos do partido para os próximos dois anos, nomeadamente o Grupo de Contacto (direção), ao qual se candidatam três listas: uma de continuidade da atual direção e duas divergentes da estratégia que tem sido seguida.

A lista 'A' é encabeçada por Isabel Mendes Lopes -- atual porta-voz do partido e líder parlamentar -- e tem como número dois Jorge Pinto, deputado que foi candidato às eleições presidenciais de janeiro. Ambos se propõem a ocupar o cargo de porta-voz, em dupla.

Em terceiro, surge Rui Tavares, principal figura do partido que deixa o cargo de porta-voz após quatro anos, propondo-se a ficar na direção com o "pelouro da estratégia, comunicação e formação".

Em entrevista à Lusa, no dia em que foi anunciada a sua saída, Tavares negou que a saída do cargo signifique um afastamento, acreditando que será "mais útil" ao partido na estratégia e "formação de lideranças" e realçando a necessidade de surgirem novas "caras e vozes".

Depois da polémica com Joacine Katar Moreira, primeira deputada eleita pelo Livre para a Assembleia da República, que passou a não inscrita em 2020, Rui Tavares foi o principal rosto da recuperação do partido, com a sua eleição como deputado único, em 2022, a marcar o regresso ao parlamento.

Desde então, o Livre passou para um grupo parlamentar de seis deputados nas legislativas de 2025, aumentou a sua representação autárquica com mais de cinquenta eleitos, e tem crescido eleitoralmente em contra ciclo com a restante esquerda. Este crescimento também se reflete no número de membros e apoiantes, cerca de 4.500 quando há dois anos eram cerca de 1.900.

Apesar de Rui Tavares não sair da direção, e sendo expectável que continue a tomar decisões no núcleo duro, esta reunião magna deverá marcar um novo ciclo no partido.

À direção candidatam-se mais duas listas, a S e a V, que convergem nas acusações de uma excessiva centralização nas figuras dos porta-vozes e do grupo parlamentar, apelando a uma maior democracia interna e ligação com as bases.

Este fim de semana, os membros e apoiantes do Livre vão também eleger a Assembleia, órgão máximo entre congressos, composta por 50 membros, e o Conselho de Jurisdição.

Para este último órgão, candidatam-se duas listas, uma encabeçada pelo deputado Paulo Muacho e outra pelo advogado José Sá Fernandes.

Foram ainda submetidas 83 moções de caráter específico, com 49 sobre o funcionamento interno do partido e as restantes programáticas.

Oficialmente, de acordo com o programa divulgado, o congresso arranca na sexta-feira com uma sessão 'online' que apenas prevê a aprovação do regimento do congresso.

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