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Inspetor-geral diz que INEM sabia das greves e mostrou-se impreparado para responder a imprevstos

Lusa 07:28
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Carlos Carapeto garantiu que o INEM falhou em toda a linha.

O inspetor-geral da saúde afirmou na quarta-feira que o INEM teve conhecimento antecipado das greves de 2024, mesmo não tendo recebido pré-aviso de uma delas, e que se mostrou uma organização impreparada para responder a imprevistos.

Inspetor-geral diz que INEM sabia das greves
Inspetor-geral diz que INEM sabia das greves Paulo Calado

Carlos Carapeto, que falava aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para apurar responsabilidades durante as greves no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019, garantiu que havia conhecimento da greve geral do dia 04 antes de ela suceder e que o INEM falhou em toda a linha.

"Esta ideia [defendida pelo INEM] de que não havia histórico mostra que não há mínima noção do que é a gestão do conhecimento numa organização pública", disse Carlos Carapeto, que insistiu sempre que o INEM já era uma instituição fragilizada há anos com as saídas de pessoas, designadamente Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (TEPH).

Questionado sobre se achava que teria de ter sido a secretaria-geral do Ministério da Saúde a passar a informação sobre o pré-aviso da greve de dia 04 de novembro - que coincidiu com a paralisação às horas extra dos TEPH e afetou a resposta de emergência -, o responsável disse que "todos os que receberam o pré-aviso poderiam ter feito essa difusão".

"Podemos fazer coisas que não violem a lei, mas esta não foi a opção das estruturas do ministério", disse Carlos Carapeto, acrescentando: "Há coisas que não precisam de ficar escritas ara sermos eficazes".

Sobre a "gestão ineficaz da greve" por parte do INEM, lamentou que o instituto, que coordena a resposta de emergência médica, não tivesse na altura um procedimento adotado sobre como gerir greves.

"Se não se tem uma prática [para esta gestão] algo vai mal no reino da gestão pública", afirmou o responsável, que considerou que as organizações pública devem sempre estar preparadas para o que não conseguem prever, "quanto mais para o que é previsível, como as greves".

"O que falta é cultura de liderança na gestão pública que faça com que os dirigentes tenham prática de treinar as suas estruturas para reagir a situações que podem ter grande imprevisibilidade", afirmou.

Durante o período de greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar do INEM, em outubro e novembro de 2024, morreram pelo menos 12 pessoas e em três destes casos a inspeção-geral da saúde associou os óbitos ao atraso no socorro.

Sobre as consequências das greves, disse que a inspeção-geral reconheceu que "é lícito afirmar que a falta de prontidão resultou do impacto da greve" e que o INEM teve responsabilidades na gestão e organização do trabalho durante o período das greves.

"Há um momento em que as fragilidades nos explodem na cara. E foi o que aconteceu aqui", disse Carlos Carapeto, que sublinhou a necessidade de "reinventar o sistema para que ele seja capaz de responder às necessidades das pessoas".

O responsável foi igualmente questionado sobre a formação dos TEPH, tendo sublinhado que é uma carreira que por ser pouco atrativa foi perdendo recursos ao longo dos anos, e negou que nas recomendações da inspeção-geral da saúde haja algo que impeça o INEM de dar formação.

"O INEM não está impedido dessa missão de formar pessoas", afirmou.

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